Tenho silicone há mais de 10 anos: preciso trocar? | Dra. Nádia Côrtes
Quem já tem silicone

Tenho silicone há mais de 10 anos: preciso trocar?

Dez anos de prótese não é prazo de troca. Mas é um bom momento para fazer um balanço, porque muita coisa mudou desde a cirurgia: os implantes, os exames e, quase sempre, o seu corpo.

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Dra. Nádia Côrtes no consultório
Prótese antiga pede um check-up com exame físico e de imagem, mesmo sem queixa.
Neste artigo
  1. Resposta rápida
  2. O que muda em 10 anos
  3. O check-up
  4. Prótese de outra geração
  5. Dá para continuar?
  6. Agora ou depois?
  7. O que levar
  8. Dúvidas comuns

Resposta rápida

Não obrigatoriamente. Ter silicone há mais de 10 anos não é, sozinho, motivo para trocar. É o momento de fazer um check-up da prótese: consulta, ultrassom ou ressonância para ver se ela está íntegra e uma conversa sobre como a mama mudou. Se o exame estiver bom e você estiver satisfeita, dá para seguir acompanhando.

O que muda depois de 10 anos com silicone?

A ideia de que a prótese "vence" com 10 anos já foi desmontada em outro texto, sobre a validade do silicone. Aqui a pergunta é outra: você passou dessa marca, e agora? O que pede atenção é que três coisas envelheceram ao mesmo tempo, cada uma no seu ritmo.

  • A prótese. A capa sofre dobras e pequenos traumas há uma década. A chance de ruptura cresce com os anos, e a ruptura das próteses de gel coeso costuma ser silenciosa.
  • A cápsula. A película que o corpo formou em volta do implante pode ter engrossado. A Dra. Nádia explica que essa cápsula envelhece e pode endurecer, o que se chama contratura.
  • A mama. Em 10 anos cabem gestações, amamentação, mudanças de peso e, às vezes, a chegada da menopausa. A prótese pode estar inteira e a mama em volta ter caído ou esvaziado.

Nos estudos de acompanhamento de longo prazo reunidos pela FDA, a taxa de ruptura silenciosa em cerca de 10 anos variou bastante conforme a marca e o tipo de prótese, ficando em algo entre 1 em cada 10 e 1 em cada 4 mulheres examinadas com ressonância. Ou seja: a maioria segue com a prótese íntegra, mas o número não é pequeno o bastante para ignorar.

Por onde começar: o check-up de quem tem prótese antiga

  1. Descubra qual é a sua prótese. Marca, modelo, volume, superfície (lisa ou texturizada) e plano em que foi colocada. Esses dados estão no cartão do implante, nas etiquetas entregues depois da cirurgia ou na descrição cirúrgica, que o hospital ou o cirurgião que operou pode fornecer.
  2. Faça um exame de imagem da prótese. Ultrassom feito por quem tem experiência com implantes ou ressonância. A FDA orienta exames periódicos a partir de 5 a 6 anos da cirurgia, a cada 2 ou 3 anos. Se você nunca fez, comece agora.
  3. Mantenha o rastreamento do câncer de mama em dia. Ele segue a sua idade e o seu histórico, não a idade da prótese. Quem tem silicone pode e deve fazer mamografia quando indicada.
  4. Passe por uma consulta com exame físico. A cirurgiã avalia a consistência, a posição da prótese, a pele que a cobre e o quanto a mama mudou.

Sua prótese é de outra geração?

Quem operou há 15 ou 20 anos pode ter uma prótese bem diferente das atuais, com capa mais fina e gel menos coeso. Nesses implantes, uma ruptura tem mais chance de deixar o gel sair da cápsula. Também houve marcas retiradas do mercado por problemas de fabricação, como a francesa suspensa no Brasil e em vários países em 2010. Se você não sabe a marca, esse é mais um motivo para ir atrás dos documentos.

Outro ponto é a superfície. Algumas próteses texturizadas estão ligadas a um tipo raro de linfoma, o BIA-ALCL, e a Anvisa publicou orientações sobre elas em 2019. A recomendação das agências não é tirar a prótese texturizada de quem está sem sintomas, e sim acompanhar e prestar atenção a inchaço tardio de uma mama só. Entenda melhor em linfoma associado à prótese.

Exame bom e você satisfeita: dá para continuar com a mesma prótese?

Dá. Se a prótese está íntegra, a mama está macia e você gosta do resultado, não existe indicação de operar só por causa do tempo. Trocar uma prótese saudável é fazer uma cirurgia, com os riscos de uma cirurgia, sem um motivo que a justifique. A partir daí, o que muda é a rotina de acompanhamento.

O que o check-up mostrouCaminho mais comum
Prótese íntegra, mama macia, você satisfeitaSeguir acompanhando com consulta e exame de imagem periódicos.
Ruptura no exame, mesmo sem sintomaCirurgia para trocar ou retirar. Veja os sinais de ruptura.
Mama endurecida, alta ou doloridaAvaliar contratura capsular e discutir troca com retirada da cápsula.
Mama caiu ou esvaziou em volta da próteseDiscutir troca ou retirada junto com mastopexia.
Vontade de outro tamanho ou de não ter mais prótesePlanejar troca ou explante, no seu tempo.

Se for trocar, vale fazer agora ou esperar?

Quando há ruptura ou contratura importante, a cirurgia é indicada e não convém adiar por anos. Quando o motivo é estético, você tem tempo para planejar. Algumas perguntas ajudam: você ainda pensa em engravidar? O seu peso está estável? Está perto da menopausa? Operar depois que essas mudanças acontecem costuma dar um resultado mais duradouro.

A Dra. Nádia, que colocou prótese aos 18 anos, fala com franqueza sobre isso: não existe prótese definitiva. É comum colocar jovem, trocar ou ajustar por volta dos 40 e tomar uma nova decisão mais para frente. Por isso ela pede que a paciente pense no "eu do futuro": na troca, muitas mulheres preferem uma prótese um pouco menor, que pese menos na pele nos próximos 20 anos. Veja como é a cirurgia de troca.

O que levar para a consulta

Leve o cartão da prótese ou a descrição cirúrgica, os laudos e as imagens dos últimos exames e, se tiver, fotos de como a mama era logo depois da cirurgia. Anote também o que mudou: se a mama ficou mais dura, se mudou de formato, se apareceu dor ou se é só uma vontade nova. Em Uberlândia, a Dra. Nádia avalia esses casos olhando a prótese, a mama e os seus planos, e explica se é hora de mexer ou de só acompanhar.

Dúvidas comuns

Tenho silicone há 15 anos e nunca fiz exame. É grave?

Não é motivo para pânico, mas é hora de fazer. Um ultrassom ou uma ressonância mostram se a prótese está íntegra, e a consulta define o próximo passo.

Preciso trocar o silicone porque fez 10 anos?

Não. O tempo, sozinho, não é indicação de troca. A troca entra na conversa quando há ruptura, contratura, mudança da mama ou vontade da paciente.

Prótese antiga rompe mais fácil?

A chance de ruptura cresce com os anos, e as próteses de gerações mais antigas tinham capa mais fina. Por isso o exame de imagem periódico é tão importante para quem tem prótese há muito tempo.

Não sei a marca da minha prótese. O que faço?

Peça a descrição cirúrgica ao hospital onde operou ou ao cirurgião. Na cirurgia de troca, a prótese retirada também pode ser identificada.

Tenho prótese texturizada há mais de 10 anos. Preciso tirar?

As agências de saúde não recomendam retirar a prótese texturizada de quem não tem sintomas. O cuidado é manter o acompanhamento e procurar avaliação se uma mama inchar anos depois da cirurgia.

Se eu trocar agora, vou precisar trocar de novo?

É possível, porque nenhuma prótese é definitiva. A nova começa do zero, e o acompanhamento continua depois da troca.

Hora de fazer o balanço da sua prótese?

Leve os seus exames e o que tiver sobre a prótese. A Dra. Nádia avalia o seu caso e explica, sem pressa, quais são as opções.

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Dra. Nádia Côrtes

Dra. Nádia Côrtes

CRM 68667 / RQE 50701

Cirurgiã plástica de mama em Uberlândia. Formada pela UFU, membro da SBCP e da BAPS. Conheça a Dra.

Revisado em 25/10/2026. Conteúdo educativo, não substitui a consulta.

Referências

  1. FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
  2. Anvisa. Atualizadas informações sobre próteses mamárias.
  3. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Prevenção e tratamento da contratura capsular após implantação de prótese mamária.