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Não obrigatoriamente. Ter silicone há mais de 10 anos não é, sozinho, motivo para trocar. É o momento de fazer um check-up da prótese: consulta, ultrassom ou ressonância para ver se ela está íntegra e uma conversa sobre como a mama mudou. Se o exame estiver bom e você estiver satisfeita, dá para seguir acompanhando.
O que muda depois de 10 anos com silicone?
A ideia de que a prótese "vence" com 10 anos já foi desmontada em outro texto, sobre a validade do silicone. Aqui a pergunta é outra: você passou dessa marca, e agora? O que pede atenção é que três coisas envelheceram ao mesmo tempo, cada uma no seu ritmo.
- A prótese. A capa sofre dobras e pequenos traumas há uma década. A chance de ruptura cresce com os anos, e a ruptura das próteses de gel coeso costuma ser silenciosa.
- A cápsula. A película que o corpo formou em volta do implante pode ter engrossado. A Dra. Nádia explica que essa cápsula envelhece e pode endurecer, o que se chama contratura.
- A mama. Em 10 anos cabem gestações, amamentação, mudanças de peso e, às vezes, a chegada da menopausa. A prótese pode estar inteira e a mama em volta ter caído ou esvaziado.
Nos estudos de acompanhamento de longo prazo reunidos pela FDA, a taxa de ruptura silenciosa em cerca de 10 anos variou bastante conforme a marca e o tipo de prótese, ficando em algo entre 1 em cada 10 e 1 em cada 4 mulheres examinadas com ressonância. Ou seja: a maioria segue com a prótese íntegra, mas o número não é pequeno o bastante para ignorar.
Por onde começar: o check-up de quem tem prótese antiga
- Descubra qual é a sua prótese. Marca, modelo, volume, superfície (lisa ou texturizada) e plano em que foi colocada. Esses dados estão no cartão do implante, nas etiquetas entregues depois da cirurgia ou na descrição cirúrgica, que o hospital ou o cirurgião que operou pode fornecer.
- Faça um exame de imagem da prótese. Ultrassom feito por quem tem experiência com implantes ou ressonância. A FDA orienta exames periódicos a partir de 5 a 6 anos da cirurgia, a cada 2 ou 3 anos. Se você nunca fez, comece agora.
- Mantenha o rastreamento do câncer de mama em dia. Ele segue a sua idade e o seu histórico, não a idade da prótese. Quem tem silicone pode e deve fazer mamografia quando indicada.
- Passe por uma consulta com exame físico. A cirurgiã avalia a consistência, a posição da prótese, a pele que a cobre e o quanto a mama mudou.
Sua prótese é de outra geração?
Quem operou há 15 ou 20 anos pode ter uma prótese bem diferente das atuais, com capa mais fina e gel menos coeso. Nesses implantes, uma ruptura tem mais chance de deixar o gel sair da cápsula. Também houve marcas retiradas do mercado por problemas de fabricação, como a francesa suspensa no Brasil e em vários países em 2010. Se você não sabe a marca, esse é mais um motivo para ir atrás dos documentos.
Outro ponto é a superfície. Algumas próteses texturizadas estão ligadas a um tipo raro de linfoma, o BIA-ALCL, e a Anvisa publicou orientações sobre elas em 2019. A recomendação das agências não é tirar a prótese texturizada de quem está sem sintomas, e sim acompanhar e prestar atenção a inchaço tardio de uma mama só. Entenda melhor em linfoma associado à prótese.
Exame bom e você satisfeita: dá para continuar com a mesma prótese?
Dá. Se a prótese está íntegra, a mama está macia e você gosta do resultado, não existe indicação de operar só por causa do tempo. Trocar uma prótese saudável é fazer uma cirurgia, com os riscos de uma cirurgia, sem um motivo que a justifique. A partir daí, o que muda é a rotina de acompanhamento.
| O que o check-up mostrou | Caminho mais comum |
|---|---|
| Prótese íntegra, mama macia, você satisfeita | Seguir acompanhando com consulta e exame de imagem periódicos. |
| Ruptura no exame, mesmo sem sintoma | Cirurgia para trocar ou retirar. Veja os sinais de ruptura. |
| Mama endurecida, alta ou dolorida | Avaliar contratura capsular e discutir troca com retirada da cápsula. |
| Mama caiu ou esvaziou em volta da prótese | Discutir troca ou retirada junto com mastopexia. |
| Vontade de outro tamanho ou de não ter mais prótese | Planejar troca ou explante, no seu tempo. |
Se for trocar, vale fazer agora ou esperar?
Quando há ruptura ou contratura importante, a cirurgia é indicada e não convém adiar por anos. Quando o motivo é estético, você tem tempo para planejar. Algumas perguntas ajudam: você ainda pensa em engravidar? O seu peso está estável? Está perto da menopausa? Operar depois que essas mudanças acontecem costuma dar um resultado mais duradouro.
A Dra. Nádia, que colocou prótese aos 18 anos, fala com franqueza sobre isso: não existe prótese definitiva. É comum colocar jovem, trocar ou ajustar por volta dos 40 e tomar uma nova decisão mais para frente. Por isso ela pede que a paciente pense no "eu do futuro": na troca, muitas mulheres preferem uma prótese um pouco menor, que pese menos na pele nos próximos 20 anos. Veja como é a cirurgia de troca.
O que levar para a consulta
Leve o cartão da prótese ou a descrição cirúrgica, os laudos e as imagens dos últimos exames e, se tiver, fotos de como a mama era logo depois da cirurgia. Anote também o que mudou: se a mama ficou mais dura, se mudou de formato, se apareceu dor ou se é só uma vontade nova. Em Uberlândia, a Dra. Nádia avalia esses casos olhando a prótese, a mama e os seus planos, e explica se é hora de mexer ou de só acompanhar.
Dúvidas comuns
Tenho silicone há 15 anos e nunca fiz exame. É grave?
Não é motivo para pânico, mas é hora de fazer. Um ultrassom ou uma ressonância mostram se a prótese está íntegra, e a consulta define o próximo passo.
Preciso trocar o silicone porque fez 10 anos?
Não. O tempo, sozinho, não é indicação de troca. A troca entra na conversa quando há ruptura, contratura, mudança da mama ou vontade da paciente.
Prótese antiga rompe mais fácil?
A chance de ruptura cresce com os anos, e as próteses de gerações mais antigas tinham capa mais fina. Por isso o exame de imagem periódico é tão importante para quem tem prótese há muito tempo.
Não sei a marca da minha prótese. O que faço?
Peça a descrição cirúrgica ao hospital onde operou ou ao cirurgião. Na cirurgia de troca, a prótese retirada também pode ser identificada.
Tenho prótese texturizada há mais de 10 anos. Preciso tirar?
As agências de saúde não recomendam retirar a prótese texturizada de quem não tem sintomas. O cuidado é manter o acompanhamento e procurar avaliação se uma mama inchar anos depois da cirurgia.
Se eu trocar agora, vou precisar trocar de novo?
É possível, porque nenhuma prótese é definitiva. A nova começa do zero, e o acompanhamento continua depois da troca.
Hora de fazer o balanço da sua prótese?
Leve os seus exames e o que tiver sobre a prótese. A Dra. Nádia avalia o seu caso e explica, sem pressa, quais são as opções.
Referências
- FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
- Anvisa. Atualizadas informações sobre próteses mamárias.
- Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Prevenção e tratamento da contratura capsular após implantação de prótese mamária.
