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A troca de prótese é indicada quando existe um motivo: ruptura, contratura capsular, prótese fora do lugar, mudança da mama com gestação ou peso, ou vontade de mudar o tamanho. Não existe uma regra de trocar a cada 10 anos. A cirurgia retira a prótese antiga, trata a cápsula quando necessário e coloca uma nova, às vezes com mastopexia junto. A recuperação costuma ser parecida com a da primeira cirurgia.
Precisa trocar o silicone a cada 10 anos?
Essa ideia ainda circula muito, mas não é assim que funciona. A Dra. Nádia explica que não é preciso trocar a prótese de 10 em 10 anos. Ao mesmo tempo, ela é sincera: em algum momento da vida, a troca provavelmente vai acontecer. A prótese é um dispositivo durável, não eterno.
A agência de saúde dos Estados Unidos (FDA) informa que, quanto mais tempo a mulher tem a prótese, maior a chance de alguma complicação que leve a uma nova cirurgia, e que uma parte das pacientes troca ou retira a prótese nos primeiros 8 a 10 anos. Isso não é um prazo de validade, é uma estatística. Muita gente fica bem por bem mais tempo. Para entender a questão do prazo em detalhe, veja silicone tem validade?
Quando a troca de prótese é indicada
- Ruptura: a prótese rasgou. A Dra. Nádia lembra que pelo toque quase nunca dá para saber, porque o gel atual é coeso. O diagnóstico vem por ultrassom e ressonância. Prótese rompida é indicação de cirurgia.
- Contratura capsular: a cápsula em volta da prótese endurece, aperta, deforma a mama e pode doer. Ela envelhece com o tempo, e esse é um motivo comum de troca.
- Prótese fora do lugar: subiu, desceu, foi para o lado, virou (no caso das anatômicas) ou as mamas se aproximaram no meio.
- A mama mudou: depois de gestação, amamentação, emagrecimento ou com a idade, a pele cede e a mama cai sobre a prótese.
- Vontade de mudar: aumentar, diminuir ou trocar o formato. É um motivo legítimo, desde que a mama comporte.
Como é a cirurgia de troca
Na maioria dos casos, a troca é feita pela mesma cicatriz da primeira cirurgia. A Dra. Nádia costuma preferir o sulco mamário, a dobra embaixo da mama, que permite trabalhar com boa visão e deixa a cicatriz escondida. Se a sua primeira prótese entrou pela axila ou pela aréola, a via da troca é discutida na consulta.
Durante a cirurgia, a prótese antiga sai e a cápsula é avaliada. Se está fina e saudável, pode ser preservada ou ajustada. Se está endurecida, espessa ou com alteração, ela é retirada, total ou parcialmente. O espaço onde a prótese nova vai ficar pode ser corrigido com pontos internos, e às vezes a posição muda: por exemplo, de cima para baixo do músculo, ou para o dual plane.
Troco pelo mesmo tamanho ou por outro?
Não precisa ser o mesmo. A prótese nova é escolhida para a mama de hoje, e a mama de hoje não é a de quando você operou. A Dra. Nádia usa a comparação do sapato: o tamanho certo é o que o seu pé comporta, e o pé pode ter mudado.
| Situação | O que costuma ser considerado |
|---|---|
| Pele fina, prótese aparecendo | Prótese menor ou mudança de plano para mais cobertura |
| Mama caída sobre a prótese | Troca com mastopexia, nem sempre com prótese maior |
| Quer mais volume | Avaliar se pele e tórax comportam sem pesar demais |
| Quer menos volume | Prótese menor, às vezes com retirada de pele |
Trocar por uma prótese bem maior "para aproveitar a cirurgia" costuma ser um mau negócio para a mama no longo prazo. Mais peso sobre a pele acelera a queda.
A recuperação da troca é igual à da primeira?
Costuma ser parecida, com algumas diferenças. Quando é só trocar a prótese no mesmo espaço, muitas pacientes sentem menos desconforto do que na primeira vez. Quando há capsulectomia total, mudança de plano ou mastopexia, a recuperação fica mais próxima de uma cirurgia nova, e às vezes um pouco mais longa.
Os cuidados são os conhecidos: sutiã adequado, sem peso nas primeiras semanas, volta gradual ao treino. Os riscos também: hematoma, seroma, infecção, nova contratura, assimetria. Uma mama que já foi operada tem tecido cicatricial, e isso pede planejamento cuidadoso.
Quando procurar avaliação
- a mama ficou mais dura, mudou de forma ou começou a doer;
- um lado ficou diferente do outro de repente;
- apareceu inchaço tardio, muito tempo depois da cirurgia;
- o exame de imagem sugeriu ruptura;
- você não sabe a marca da sua prótese e faz anos que não faz exame.
Inchaço que aparece anos depois precisa sempre de avaliação, porque pode ser seroma tardio, e em casos raros está ligado ao linfoma associado à prótese (BIA-ALCL). Na maioria das vezes não é isso, mas precisa ser investigado. Quem atende em Uberlândia pode levar os exames e o cartão da prótese para a consulta com a Dra. Nádia.
Minha prótese é texturizada. Preciso trocar?
Essa dúvida cresceu depois das notícias sobre o linfoma associado à prótese mamária, o BIA-ALCL, um tipo raro de linfoma ligado principalmente a próteses de superfície texturizada. A Anvisa e a FDA publicaram informações sobre o tema, e a orientação geral é a mesma: em quem não tem sintomas, não se recomenda retirar ou trocar a prótese só por precaução.
O que se recomenda é acompanhar. Conhecer a marca e o modelo da sua prótese, fazer os exames de rotina e procurar avaliação se aparecer inchaço, caroço ou mudança na mama, principalmente anos depois da cirurgia. Se você quer trocar por tranquilidade, isso pode ser conversado, sabendo que a troca também é uma cirurgia com os seus próprios riscos.
Dúvidas comuns
Silicone tem que ser trocado a cada 10 anos?
Não. Não existe prazo obrigatório. A troca é indicada quando há um motivo, como ruptura, contratura, prótese fora do lugar ou mudança da mama.
A troca de prótese é pela mesma cicatriz?
Na maioria das vezes, sim. Em alguns casos, como prótese colocada pela axila ou cápsula que precisa sair inteira, outra via pode ser indicada.
Dá para trocar e levantar a mama ao mesmo tempo?
Sim, a troca pode ser feita com mastopexia quando a pele cedeu. A indicação depende do quanto a mama caiu e da qualidade da pele.
A recuperação da troca é mais rápida?
Quando é só trocar a prótese no mesmo espaço, costuma ser parecida ou mais tranquila. Com capsulectomia ou mastopexia junto, os cuidados se estendem.
Como sei se a minha prótese rompeu?
Pelo toque, quase nunca dá para saber. O diagnóstico é feito por ultrassom ou ressonância magnética das mamas.
Está na hora de trocar a sua prótese?
Conte para a equipe há quanto tempo você operou e o que mudou na sua mama. A Dra. Nádia avalia se a troca faz sentido e como ela seria.
Referências
- FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
- Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Prevenção e tratamento da contratura capsular após implantação de prótese mamária.
- Anvisa. Atualizadas informações sobre próteses mamárias.
- Sociedade Brasileira de Mastologia. BIA-ALCL: o que é o linfoma associado à prótese mamária.
