Dual plane: a posição da prótese entre o músculo e a glândula | Dra. Nádia Côrtes
Prótese de silicone em detalhe

Dual plane: a posição da prótese entre o músculo e a glândula

Dual plane quer dizer dois planos: a prótese fica com a parte de cima atrás do músculo e a de baixo atrás da mama. É uma das posições mais usadas hoje, e entender como ela funciona ajuda a saber o que esperar no pós.

5,0 no Google com 109 avaliações de pacientes
Dra. Nádia Côrtes no consultório
A posição da prótese é escolhida pela cobertura do seu tecido e pela sua rotina.
Neste artigo
  1. Resposta rápida
  2. O que é
  3. Tipos I, II e III
  4. Por que é tão usado
  5. Alça muscular
  6. Os pontos de atenção
  7. Para quem é
  8. Na consulta
  9. Dúvidas comuns

Resposta rápida

Dual plane é uma posição da prótese de silicone em que a parte de cima fica atrás do músculo peitoral e a parte de baixo fica atrás da glândula mamária. O músculo ajuda a disfarçar a borda da prótese no colo, e a parte de baixo, livre, deixa a mama com um contorno mais natural. Em comparação com a prótese toda embaixo do músculo, costuma doer menos, mas a prótese pode se mexer quando o peitoral contrai. A indicação é individual.

O que é o dual plane?

Atrás da mama existe o músculo peitoral maior. Ele cobre bem a parte de cima do tórax, perto do colo, mas não chega até embaixo da mama. No dual plane, a cirurgiã aproveita essa anatomia: coloca a prótese de forma que o músculo cubra a metade de cima, onde a pele costuma ser mais fina, e solta a parte de baixo para ficar diretamente atrás da glândula.

A Dra. Nádia usa muito essa técnica. Ela explica que, diferente da técnica antiga, em que a prótese ficava totalmente embaixo do músculo, agora fica uma "beiradinha" da prótese exposta, e é isso que ajuda a recuperar mais rápido e com menos dor.

Corte lateral com a prótese na frente do músculo

Por cima do músculo

Subglandular

Corte lateral com a prótese na frente do músculo, coberta pela fáscia

Sob a película do músculo

Subfascial

Corte lateral com a metade de cima da prótese atrás do músculo

Parte atrás do músculo

Dual plane

Vista de lado, com as costelas à esquerda. Ilustração educativa, sem escala.

Existem tipos de dual plane?

Sim. Na descrição clássica da técnica, publicada no início dos anos 2000, o dual plane é dividido em três tipos, conforme o quanto a glândula é solta do músculo na parte de baixo:

  • Tipo I: a glândula quase não é solta. Usado em mamas firmes, sem queda.
  • Tipo II: a glândula é solta até perto da aréola. Usado em mamas um pouco mais soltas.
  • Tipo III: a glândula é solta até acima da aréola. Usado em mamas com mais pele, em que é preciso que a glândula se acomode sobre a prótese.

Você não precisa decorar isso. Serve para entender que "dual plane" não é um gesto único: é um ajuste fino, feito para cada mama.

Por que o dual plane é tão usado?

Porque ele tenta juntar o que há de bom em cada posição:

  • Em cima, mais cobertura: o músculo fica entre a prótese e a pele do colo. Em mulheres magras ou com pouca mama, isso disfarça a borda da prótese e ajuda o colo a ficar com uma transição mais suave.
  • Embaixo, contorno natural: como a parte de baixo fica atrás da glândula, a prótese preenche o polo inferior da mama, que é onde a mama natural é mais cheia.
  • Menos dor que a prótese toda embaixo do músculo: menos músculo esticado sobre a prótese, menos desconforto nos primeiros dias.
  • Mamas separadas no meio: com a prótese atrás do músculo, a ligação do músculo ao osso do meio do peito ajuda a manter as mamas separadas. A Dra. Nádia comenta que a prótese acima do músculo pode, em alguns casos, "juntar" as mamas, a chamada simastia.

Estudos também associam a posição atrás do músculo a uma taxa menor de contratura capsular e a uma mamografia um pouco mais fácil de avaliar, em comparação com a prótese por cima do músculo.

Alça muscular e sutiã interno: os parceiros do dual plane

Na técnica que a Dra. Nádia mostra, o dual plane raramente vem sozinho. Ela usa também a alça muscular, uma faixa de músculo que sustenta a lateral da prótese para que, quando a paciente deita, as mamas não se espalhem para os lados. E, embaixo, o sutiã interno, uma costura com fio farpado abaixo do sulco. O dual plane cuida de cima, a alça cuida do lado e o sutiã interno cuida de baixo.

Quais são os pontos de atenção do dual plane?

A mama pode se mexer quando o músculo contrai. Como parte da prótese está atrás do peitoral, cada contração aperta a prótese. Em supino, flexão ou remo, a mama pode subir ou mudar de formato por alguns segundos. É a chamada mama dinâmica. Em quem faz musculação leve, quase não aparece. Em quem treina peito pesado, pode incomodar.

Prótese parcialmente atrás do músculo, com o músculo relaxado

Músculo relaxado

A mama fica no formato planejado

Com o músculo contraído, a prótese é empurrada para cima e achata

Músculo contraído

A prótese sobe e achata por alguns segundos

Mama dinâmica: acontece quando parte da prótese fica atrás do peitoral. Ilustração educativa, sem escala.

A prótese começa alta. No início, o músculo empurra a prótese para cima, e ela fica alta, com o mamilo apontando para baixo e a mama com aspecto "quadrado". A Dra. Nádia explica que a prótese é colocada propositalmente um pouco alta, porque ela vai descer. Essa descida, a báscula, leva cerca de um ano. É comum que um lado desça antes do outro, e quem é destra pode ver o lado direito evoluir de um jeito diferente, porque usa mais aquele músculo.

O sutiã pós-operatório pode ter uma faixa. Para quem tem prótese em dual plane, pode ser indicado um modelo de sutiã com uma faixa em cima, que ajuda a orientar a prótese para baixo enquanto o músculo se acostuma. O modelo e o tempo de uso são definidos nos retornos.

Para quem o dual plane costuma ser indicado?

De forma geral, ele costuma entrar na conversa para:

  • mulheres com pouca mama ou pele fina na parte de cima do seio;
  • quem deseja um colo com transição suave, sem a borda da prótese marcando;
  • mamas com queda leve, ajustando o tipo de dual plane.

E pode não ser a primeira opção para quem treina peito pesado, faz CrossFit, natação ou luta e se incomodaria com o movimento da prótese, desde que tenha cobertura suficiente para a prótese ficar por cima do músculo. Nesses casos, a conversa sobre posição é mais longa. A comparação completa está em silicone por cima ou por baixo do músculo, e a página de cirurgia para atletas mostra como a Dra. Nádia pensa a cirurgia de quem treina.

Como saber se o dual plane é para você

Na avaliação, em Uberlândia ou online, a Dra. Nádia mede a espessura do tecido em cima da mama, avalia a queda e pergunta sobre o seu treino. A partir disso, ela explica qual posição faz sentido, o que muda na recuperação e como a mama deve evoluir no primeiro ano. Não existe uma posição que sirva para todas as mulheres.

Dúvidas comuns

Dual plane é por cima ou por baixo do músculo?

É uma posição mista. A parte de cima da prótese fica atrás do músculo peitoral e a parte de baixo fica atrás da glândula mamária.

Dual plane dói mais?

Costuma doer menos que a técnica antiga, com a prótese toda embaixo do músculo, e um pouco mais que a prótese por cima do músculo. O desconforto é controlado com medicação e diminui nos primeiros dias.

Quanto tempo a prótese em dual plane demora para descer?

A descida, chamada de báscula, leva cerca de um ano. No começo, a prótese fica alta e com aspecto quadrado, e um lado pode descer antes do outro.

Quem tem dual plane pode fazer musculação?

Pode, seguindo o retorno por etapas orientado pela cirurgiã. A prótese pode se mexer quando o peitoral contrai, o que é mais perceptível em treinos pesados de peito.

Dual plane deixa a mama mais natural?

Em mulheres com pouca cobertura, costuma ajudar a disfarçar a borda da prótese no colo. Mas o resultado depende também do tamanho, do formato da prótese e do seu corpo.

Quer entender qual posição faz sentido para você?

Conte para a equipe como é o seu corpo e o seu treino. A Dra. Nádia explica as opções na consulta.

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Dra. Nádia Côrtes

Dra. Nádia Côrtes

CRM 68667 / RQE 50701

Cirurgiã plástica de mama em Uberlândia. Formada pela UFU, membro da SBCP e da BAPS. Conheça a Dra.

Revisado em 22/10/2026. Conteúdo educativo, não substitui a consulta.

Referências

  1. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Prevenção e tratamento da contratura capsular após implantação de prótese mamária.
  2. FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
  3. Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Encontre um cirurgião membro da SBCP.