Neste artigo
Resposta rápida
Quando a cirurgia de mama parece ter dado errado, o primeiro passo é separar a fase normal do pós de uma complicação. Prótese alta, mama inchada, assimetria e arrependimento nas primeiras semanas são comuns e costumam melhorar com o tempo. Já febre, uma mama que incha muito de repente, vermelhidão que se espalha ou abertura da cicatriz pedem contato imediato com a cirurgiã. Correções estéticas definitivas costumam esperar a mama se acomodar, em geral alguns meses.
É normal ou deu errado?
Nas primeiras semanas, a mama operada não está pronta. A Dra. Nádia repete sempre: "fica feio pra depois ficar bonito". A prótese costuma ficar alta, com o bico apontando para baixo e um formato meio "quadrado". Um lado pode inchar mais que o outro. Quem é destra, por exemplo, pode ver o lado direito evoluir de um jeito diferente, porque usa mais aquele braço.
Também existe a "semana do arrependimento", aquele momento em que a paciente se olha no espelho, inchada e dolorida, e pensa "por que eu fiz isso?". É frequente, passa, e não quer dizer que algo deu errado.
| Costuma ser fase do pós | Pede avaliação rápida |
|---|---|
| Prótese alta e mama "quadrada" nos primeiros meses | Uma mama que incha muito e endurece de repente |
| Inchaço e roxos que melhoram aos poucos | Febre, calafrio ou vermelhidão que se espalha |
| Diferença leve entre os lados | Saída de secreção ou abertura da cicatriz |
| Sensibilidade alterada no mamilo | Dor que piora em vez de melhorar |
| Arrependimento nos primeiros dias | Falta de ar, dor ou inchaço em uma perna |
Quais complicações podem acontecer
Toda cirurgia tem risco, e a de mama não é exceção. As complicações mais conhecidas são:
- Hematoma: acúmulo de sangue, geralmente nas primeiras horas ou dias. Pode precisar voltar ao centro cirúrgico para drenar.
- Seroma: acúmulo de líquido claro em volta da prótese. Veja seroma depois da cirurgia de mama.
- Infecção: pouco frequente, mas séria. Em alguns casos exige retirar a prótese por um tempo.
- Problemas de cicatrização: mais comuns em quem fuma, por isso a Dra. Nádia orienta parar 90 dias antes e 90 dias depois.
- Contratura capsular: a cápsula endurece e deforma a mama, às vezes anos depois.
- Má posição da prótese: subir demais, descer demais, ir para o lado, ou as mamas se juntarem no meio.
- Insatisfação com tamanho ou forma, mesmo sem complicação técnica.
A Anvisa e a FDA mantêm informações públicas sobre os riscos das próteses mamárias, e vale ler antes de operar.
O que fazer se você acha que algo deu errado
- Fale com quem operou você, de preferência com fotos e descrevendo o que mudou. A equipe que fez a cirurgia conhece o seu caso e é quem consegue avaliar mais rápido.
- Em sinal de alerta, não espere o retorno marcado. Febre, inchaço súbito ou falta de ar pedem atendimento no mesmo dia.
- Para questões estéticas, dê tempo ao tempo. A descida da prótese leva cerca de um ano, e o resultado final pode levar de 12 a 24 meses. Correções antes disso podem atrapalhar.
- Se a confiança acabou, procure uma segunda opinião. Leve o relatório da cirurgia, o cartão da prótese e os exames.
Como reduzir a chance de dar errado
A Dra. Nádia compara a cirurgia a uma viagem de carro. Você não controla tudo, mas escolhe o motorista, revisa o carro e planeja o trajeto. Na prática:
- Escolha bem quem opera: especialista em cirurgia plástica, com RQE, membro da SBCP. Veja como escolher.
- Opere em hospital, com anestesista dedicado.
- Chegue preparada: sem cigarro, com o peso estável e exames em dia. A Dra. Nádia trabalha com IMC até 30 para cirurgia eletiva.
- Escolha um tamanho coerente com o seu corpo. Prótese grande demais para o tórax aumenta a chance de problemas com a pele e com a posição.
- Evite juntar muitas cirurgias só porque "compensa". Cirurgia mais longa tem mais risco.
- Siga o pós à risca: sutiã, sem peso, volta gradual ao treino.
Quando o problema é a expectativa
Às vezes a cirurgia correu bem do ponto de vista técnico, mas o resultado não é o que a paciente imaginava. Muitas vezes, a referência era a mama de outra mulher, com outro corpo. A Dra. Nádia fala do "seu quadro de rosa vermelha": se você queria uma rosa vermelha, precisa dizer isso com clareza, e a cirurgiã precisa dizer se o seu corpo permite. Esse alinhamento, feito antes, é uma das formas mais eficientes de prevenir frustração.
Dá para corrigir depois?
Na maioria dos casos, sim. A correção pode ser uma troca de prótese, uma mudança de plano, a retirada da cápsula, uma mastopexia ou a remoção da prótese. A Dra. Nádia atende muitas pacientes que já passaram por duas, três ou mais cirurgias na mama, em Uberlândia e de outras cidades. Cada nova cirurgia é mais complexa que a anterior, por isso o planejamento precisa ser ainda mais cuidadoso. Leia mais em cirurgia de revisão da mama.
Tenho direito ao prontuário da minha cirurgia?
Sim. O prontuário pertence à paciente, e você pode pedir uma cópia ao médico ou ao hospital. Para quem pensa em uma correção, especialmente com outro profissional, esses documentos fazem diferença: descrição da cirurgia, via de acesso, plano da prótese, marca, modelo, volume e lote. Peça também os laudos dos exames feitos antes e depois. Com essas informações, o planejamento da próxima cirurgia fica mais seguro e mais preciso.
Se você ainda está no pós e algo preocupa, não espere ter todos os papéis para pedir ajuda. Fale com a sua equipe primeiro, e reúna os documentos com calma depois.
Dúvidas comuns
É normal a prótese ficar alta depois da cirurgia?
Sim. Nos primeiros meses, a prótese costuma ficar alta e a mama com formato mais quadrado. Ela desce e se acomoda ao longo de cerca de um ano.
Quais sinais pedem atendimento urgente?
Febre, uma mama que incha muito de repente, vermelhidão que se espalha, saída de secreção, abertura da cicatriz, falta de ar ou dor em uma perna.
Quanto tempo esperar para corrigir um resultado que não gostei?
Para questões estéticas, em geral se espera a mama se acomodar, o que leva meses. Complicações como hematoma ou infecção são tratadas na hora.
Posso procurar outro cirurgião para corrigir?
Pode. Leve o relatório da cirurgia, o cartão da prótese e os exames. Essas informações são essenciais para planejar a correção.
Complicação significa que o cirurgião errou?
Não necessariamente. Algumas complicações acontecem mesmo com tudo feito corretamente. O que importa é o diagnóstico rápido e o tratamento adequado.
Quer uma avaliação do seu resultado?
Conte para a equipe quando você operou e o que está incomodando. A Dra. Nádia avalia com calma e explica as opções.
Referências
- Anvisa. Atualizadas informações sobre próteses mamárias.
- FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
- Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Prevenção e tratamento da contratura capsular após implantação de prótese mamária.
- Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Encontre um cirurgião membro da SBCP.
