Silicone tem validade? Precisa trocar com 10 anos? | Dra. Nádia Côrtes
Quem já tem silicone

Silicone tem validade? Precisa trocar com 10 anos?

A história de que o silicone "vence" com 10 anos ainda circula muito. Ela não é verdade, mas também não quer dizer que a prótese dura a vida inteira. Veja o que realmente define a hora de trocar.

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Dra. Nádia Côrtes no consultório
Quem já tem prótese também precisa de consulta de acompanhamento, mesmo sem queixa.
Neste artigo
  1. Resposta rápida
  2. De onde veio os 10 anos
  3. Dura para sempre?
  4. O que envelhece
  5. Quando trocar
  6. Como acompanhar
  7. Trocar, tirar ou deixar
  8. Qual é a sua prótese?
  9. Dúvidas comuns

Resposta rápida

Não. A prótese de silicone não tem data de validade e não precisa ser trocada automaticamente com 10 anos. Ela também não é um implante para a vida toda: com o passar dos anos aumentam as chances de ruptura, de contratura e de a mama mudar em volta dela. A troca é indicada quando aparece um motivo, e os exames de imagem periódicos ajudam a descobrir esse momento.

De onde veio a ideia de que o silicone vence com 10 anos?

A regra dos 10 anos vem de outra época. As próteses dos anos 80 e 90 tinham uma capa mais fina e um gel mais líquido. Quando rompiam, o gel podia escorrer para fora da cápsula com mais facilidade, e muitos cirurgiões indicavam trocar de tempos em tempos para não correr esse risco.

As próteses de hoje são diferentes. O gel é coeso, mais firme, parecido com uma bala de goma: se a capa rompe, ele tende a ficar no lugar. Somado a isso, alguns fabricantes oferecem programas de reposição com prazos contados em anos, e no boca a boca isso virou "validade". Não é. A prótese não tem um dia em que passa a fazer mal.

Então a prótese dura para sempre?

Também não. A Dra. Nádia repete uma frase nos vídeos dela: não existe prótese definitiva. Ela mesma colocou silicone aos 18 anos e fala disso com sinceridade. A conta mais comum ao longo da vida é algo assim: coloca jovem, troca ou ajusta por volta dos 40 e, mais para frente, decide se troca de novo, se faz uma mastopexia ou se tira.

A FDA, agência de saúde dos Estados Unidos, diz a mesma coisa com outras palavras: a prótese mamária não é considerada um dispositivo para a vida inteira, e quanto mais tempo ela fica no corpo, maior a chance de surgir alguma complicação que leve a uma nova cirurgia. Nos dados acompanhados pela agência, uma parte relevante das mulheres que colocaram prótese para aumento passou por retirada ou troca dentro de 8 a 10 anos. Muitas outras ficam bem por bem mais tempo. Não existe um número que valha para todas.

O que envelhece: a prótese ou a mama?

As duas coisas, e em ritmos diferentes.

  • A capa da prótese sofre com o tempo. Dobras, pressão e pequenos traumas vão desgastando o material, e a ruptura fica mais provável com os anos.
  • A cápsula, a película que o corpo forma em volta da prótese, também envelhece. A Dra. Nádia explica que ela pode endurecer e apertar a prótese, o que se chama contratura capsular.
  • A sua mama muda com gestação, amamentação, perda ou ganho de peso e menopausa. A prótese pode continuar inteira e, mesmo assim, a mama em volta cair, esvaziar ou ficar assimétrica.

Por isso tem mulher que troca a prótese sem nenhum defeito nela, só porque a mama mudou. E tem mulher com prótese de 15 anos, rompida e sem sintoma nenhum, que só descobre no exame.

Quando a troca do silicone é indicada?

A troca, ou a retirada, entra na conversa quando existe um motivo. Os mais comuns:

  • Ruptura confirmada no exame. Prótese rompida é indicação de cirurgia, mesmo sem dor. Veja os sinais de ruptura.
  • Contratura que deixa a mama dura, alta, dolorida ou deformada. Entenda a contratura capsular.
  • Prótese fora do lugar, que desceu, foi para o lado ou virou.
  • Mudança da mama: queda depois de filhos ou de emagrecer, que pede uma mastopexia junto.
  • Vontade da paciente: diminuir o tamanho, trocar de modelo ou tirar de vez.
  • Inchaço tardio de um lado só, anos depois da cirurgia, que precisa ser investigado antes de qualquer decisão.

Se nenhum desses pontos aparece e os exames estão bons, a prótese pode continuar onde está. Trocar "porque fez 10 anos" é uma cirurgia, com riscos de cirurgia, sem um motivo que a justifique.

Como acompanhar a prótese sem esperar dar problema

A ruptura das próteses atuais costuma ser silenciosa. A Dra. Nádia é direta sobre isso: apalpando, não dá para saber se a prótese está rompida. Quem mostra é o exame de imagem, o ultrassom e, quando preciso, a ressonância.

A orientação da FDA para próteses de silicone é fazer o primeiro ultrassom ou ressonância cerca de 5 a 6 anos depois da cirurgia e repetir a cada 2 ou 3 anos, mesmo sem sintoma. Isso não substitui os exames de rotina para câncer de mama, que seguem a sua idade e o seu histórico. Veja como organizar os exames.

Trocar, tirar ou deixar como está?

Quando chega a hora de mexer, as opções são basicamente três:

OpçãoQuando costuma fazer sentido
Troca simplesMama ainda firme, desejo de manter o volume, problema só na prótese.
Troca com mastopexiaPrótese com problema e mama que caiu com o tempo.
Explante, com ou sem ajustesDesejo de não ter mais prótese, contratura importante ou outros motivos discutidos na consulta.

Também é o momento de pensar no seu "eu do futuro", outra frase que a Dra. Nádia usa muito. Se você vai trocar aos 40, faz sentido escolher um tamanho que pese menos na pele nos próximos 20 anos. Na consulta em Uberlândia, essa decisão é feita olhando o seu tecido, os seus exames e o que você quer para os próximos anos. Saiba mais sobre como é a cirurgia de troca.

Você sabe qual prótese tem?

Muita gente não sabe a marca, o modelo, o volume, a textura nem o plano em que a prótese foi colocada. Essas informações ajudam muito em qualquer avaliação futura. Procure o cartão do implante ou as etiquetas entregues depois da cirurgia, ou peça a descrição cirúrgica ao hospital ou ao cirurgião que operou. Guarde junto com os laudos dos exames. Se for passar por uma troca, leve tudo para a consulta.

Dúvidas comuns

Silicone tem prazo de validade?

Não. A prótese não vence em uma data. Ela é acompanhada com consultas e exames de imagem, e a troca é indicada quando existe um motivo, como ruptura, contratura ou mudança da mama.

Preciso trocar o silicone com 10 anos?

Não existe essa obrigação. Mas, com o tempo, a chance de ruptura e de contratura aumenta, e é provável que em algum momento da vida você precise de outra cirurgia.

Como saber se a minha prótese está boa?

Pelo exame de imagem. Ao toque não dá para saber se a prótese rompeu. O ultrassom e a ressonância mostram a integridade dela.

De quanto em quanto tempo preciso fazer exame da prótese?

A FDA orienta o primeiro ultrassom ou ressonância 5 a 6 anos depois da cirurgia e depois a cada 2 ou 3 anos. A sua médica pode ajustar esse intervalo ao seu caso.

Se eu trocar a prótese, a nova dura mais?

A nova prótese começa do zero, mas a mama e a cápsula já têm história. A troca é planejada para o seu momento, e o acompanhamento continua depois dela.

Onde encontro a marca e o modelo da minha prótese?

No cartão do implante, nas etiquetas entregues depois da cirurgia ou na descrição cirúrgica. O hospital ou o cirurgião que operou pode fornecer esses dados.

Sua prótese precisa de troca?

Leve os seus exames e o cartão da prótese para a consulta. A Dra. Nádia avalia o seu caso e explica, sem pressa, quais são as opções.

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Dra. Nádia Côrtes

Dra. Nádia Côrtes

CRM 68667 / RQE 50701

Cirurgiã plástica de mama em Uberlândia. Formada pela UFU, membro da SBCP e da BAPS. Conheça a Dra.

Revisado em 22/10/2026. Conteúdo educativo, não substitui a consulta.

Referências

  1. FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
  2. Anvisa. Atualizadas informações sobre próteses mamárias.
  3. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Prevenção e tratamento da contratura capsular após implantação de prótese mamária.