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Resposta rápida
Não. A prótese de silicone não tem data de validade e não precisa ser trocada automaticamente com 10 anos. Ela também não é um implante para a vida toda: com o passar dos anos aumentam as chances de ruptura, de contratura e de a mama mudar em volta dela. A troca é indicada quando aparece um motivo, e os exames de imagem periódicos ajudam a descobrir esse momento.
De onde veio a ideia de que o silicone vence com 10 anos?
A regra dos 10 anos vem de outra época. As próteses dos anos 80 e 90 tinham uma capa mais fina e um gel mais líquido. Quando rompiam, o gel podia escorrer para fora da cápsula com mais facilidade, e muitos cirurgiões indicavam trocar de tempos em tempos para não correr esse risco.
As próteses de hoje são diferentes. O gel é coeso, mais firme, parecido com uma bala de goma: se a capa rompe, ele tende a ficar no lugar. Somado a isso, alguns fabricantes oferecem programas de reposição com prazos contados em anos, e no boca a boca isso virou "validade". Não é. A prótese não tem um dia em que passa a fazer mal.
Então a prótese dura para sempre?
Também não. A Dra. Nádia repete uma frase nos vídeos dela: não existe prótese definitiva. Ela mesma colocou silicone aos 18 anos e fala disso com sinceridade. A conta mais comum ao longo da vida é algo assim: coloca jovem, troca ou ajusta por volta dos 40 e, mais para frente, decide se troca de novo, se faz uma mastopexia ou se tira.
A FDA, agência de saúde dos Estados Unidos, diz a mesma coisa com outras palavras: a prótese mamária não é considerada um dispositivo para a vida inteira, e quanto mais tempo ela fica no corpo, maior a chance de surgir alguma complicação que leve a uma nova cirurgia. Nos dados acompanhados pela agência, uma parte relevante das mulheres que colocaram prótese para aumento passou por retirada ou troca dentro de 8 a 10 anos. Muitas outras ficam bem por bem mais tempo. Não existe um número que valha para todas.
O que envelhece: a prótese ou a mama?
As duas coisas, e em ritmos diferentes.
- A capa da prótese sofre com o tempo. Dobras, pressão e pequenos traumas vão desgastando o material, e a ruptura fica mais provável com os anos.
- A cápsula, a película que o corpo forma em volta da prótese, também envelhece. A Dra. Nádia explica que ela pode endurecer e apertar a prótese, o que se chama contratura capsular.
- A sua mama muda com gestação, amamentação, perda ou ganho de peso e menopausa. A prótese pode continuar inteira e, mesmo assim, a mama em volta cair, esvaziar ou ficar assimétrica.
Por isso tem mulher que troca a prótese sem nenhum defeito nela, só porque a mama mudou. E tem mulher com prótese de 15 anos, rompida e sem sintoma nenhum, que só descobre no exame.
Quando a troca do silicone é indicada?
A troca, ou a retirada, entra na conversa quando existe um motivo. Os mais comuns:
- Ruptura confirmada no exame. Prótese rompida é indicação de cirurgia, mesmo sem dor. Veja os sinais de ruptura.
- Contratura que deixa a mama dura, alta, dolorida ou deformada. Entenda a contratura capsular.
- Prótese fora do lugar, que desceu, foi para o lado ou virou.
- Mudança da mama: queda depois de filhos ou de emagrecer, que pede uma mastopexia junto.
- Vontade da paciente: diminuir o tamanho, trocar de modelo ou tirar de vez.
- Inchaço tardio de um lado só, anos depois da cirurgia, que precisa ser investigado antes de qualquer decisão.
Se nenhum desses pontos aparece e os exames estão bons, a prótese pode continuar onde está. Trocar "porque fez 10 anos" é uma cirurgia, com riscos de cirurgia, sem um motivo que a justifique.
Como acompanhar a prótese sem esperar dar problema
A ruptura das próteses atuais costuma ser silenciosa. A Dra. Nádia é direta sobre isso: apalpando, não dá para saber se a prótese está rompida. Quem mostra é o exame de imagem, o ultrassom e, quando preciso, a ressonância.
A orientação da FDA para próteses de silicone é fazer o primeiro ultrassom ou ressonância cerca de 5 a 6 anos depois da cirurgia e repetir a cada 2 ou 3 anos, mesmo sem sintoma. Isso não substitui os exames de rotina para câncer de mama, que seguem a sua idade e o seu histórico. Veja como organizar os exames.
Trocar, tirar ou deixar como está?
Quando chega a hora de mexer, as opções são basicamente três:
| Opção | Quando costuma fazer sentido |
|---|---|
| Troca simples | Mama ainda firme, desejo de manter o volume, problema só na prótese. |
| Troca com mastopexia | Prótese com problema e mama que caiu com o tempo. |
| Explante, com ou sem ajustes | Desejo de não ter mais prótese, contratura importante ou outros motivos discutidos na consulta. |
Também é o momento de pensar no seu "eu do futuro", outra frase que a Dra. Nádia usa muito. Se você vai trocar aos 40, faz sentido escolher um tamanho que pese menos na pele nos próximos 20 anos. Na consulta em Uberlândia, essa decisão é feita olhando o seu tecido, os seus exames e o que você quer para os próximos anos. Saiba mais sobre como é a cirurgia de troca.
Você sabe qual prótese tem?
Muita gente não sabe a marca, o modelo, o volume, a textura nem o plano em que a prótese foi colocada. Essas informações ajudam muito em qualquer avaliação futura. Procure o cartão do implante ou as etiquetas entregues depois da cirurgia, ou peça a descrição cirúrgica ao hospital ou ao cirurgião que operou. Guarde junto com os laudos dos exames. Se for passar por uma troca, leve tudo para a consulta.
Dúvidas comuns
Silicone tem prazo de validade?
Não. A prótese não vence em uma data. Ela é acompanhada com consultas e exames de imagem, e a troca é indicada quando existe um motivo, como ruptura, contratura ou mudança da mama.
Preciso trocar o silicone com 10 anos?
Não existe essa obrigação. Mas, com o tempo, a chance de ruptura e de contratura aumenta, e é provável que em algum momento da vida você precise de outra cirurgia.
Como saber se a minha prótese está boa?
Pelo exame de imagem. Ao toque não dá para saber se a prótese rompeu. O ultrassom e a ressonância mostram a integridade dela.
De quanto em quanto tempo preciso fazer exame da prótese?
A FDA orienta o primeiro ultrassom ou ressonância 5 a 6 anos depois da cirurgia e depois a cada 2 ou 3 anos. A sua médica pode ajustar esse intervalo ao seu caso.
Se eu trocar a prótese, a nova dura mais?
A nova prótese começa do zero, mas a mama e a cápsula já têm história. A troca é planejada para o seu momento, e o acompanhamento continua depois dela.
Onde encontro a marca e o modelo da minha prótese?
No cartão do implante, nas etiquetas entregues depois da cirurgia ou na descrição cirúrgica. O hospital ou o cirurgião que operou pode fornecer esses dados.
Sua prótese precisa de troca?
Leve os seus exames e o cartão da prótese para a consulta. A Dra. Nádia avalia o seu caso e explica, sem pressa, quais são as opções.
Referências
- FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
- Anvisa. Atualizadas informações sobre próteses mamárias.
- Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Prevenção e tratamento da contratura capsular após implantação de prótese mamária.
