Neste artigo
Resposta rápida
Quem tem silicone faz dois tipos de acompanhamento. Para a prótese, a FDA orienta ultrassom ou ressonância cerca de 5 a 6 anos depois da cirurgia e depois a cada 2 ou 3 anos, mesmo sem sintomas; se houver sintoma, a ressonância é o exame de referência. Para o câncer de mama, o rastreamento segue a idade e o risco de cada mulher, como em quem não tem prótese, com mamografia e, quando indicado, ultrassom.
Por que quem tem silicone precisa de exames diferentes?
Porque existem duas perguntas a responder. A primeira é a de qualquer mulher: a mama está saudável? A segunda é só de quem tem prótese: o implante está íntegro, sem ruptura, sem líquido em volta, sem contratura?
A Dra. Nádia lembra que, ao toque, não dá para saber se a prótese rompeu. As rupturas das próteses atuais costumam ser silenciosas, e a paciente se sente igual. Por isso o acompanhamento não espera sintoma: ele é feito por exames de imagem em intervalos regulares.
Ultrassom, ressonância e mamografia: o que cada um mostra?
| Exame | Para a prótese | Para a mama |
|---|---|---|
| Ultrassom | Mostra ruptura, dobras e líquido em volta da prótese. Rápido, sem radiação, mas depende de quem faz. | Ajuda a avaliar nódulos e complementa a mamografia, principalmente em mamas densas. |
| Ressonância | É o exame de referência para a integridade da prótese, inclusive rupturas dentro da cápsula. | Com contraste, é usada em situações específicas, como mulheres de alto risco para câncer. |
| Mamografia | Vê pouco da prótese. Mostra silicone que saiu da cápsula. | É o exame principal de rastreamento do câncer de mama. |
Na prática, eles se completam. Nenhum faz o trabalho de todos, e é comum que a mesma paciente use os três ao longo da vida.
De quanto em quanto tempo fazer os exames da prótese?
A FDA, agência de saúde dos Estados Unidos, atualizou em 2020 a orientação para quem tem prótese de silicone sem nenhum sintoma: fazer o primeiro ultrassom ou ressonância cerca de 5 a 6 anos depois da cirurgia e, depois, repetir a cada 2 ou 3 anos. Antes, a recomendação era só ressonância, e o ultrassom entrou como opção válida para o rastreamento.
Se aparecer algum sintoma, como mudança de formato, endurecimento, dor ou inchaço, o intervalo não importa: a avaliação é feita na hora, e a ressonância costuma ser o exame indicado. A sua médica pode ajustar esse calendário conforme o tipo e a idade da sua prótese. Entenda os sinais de silicone rompido.
E os exames para o câncer de mama?
Ter prótese não muda a necessidade de rastrear o câncer de mama. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos para mulheres de risco habitual. Mulheres com histórico familiar forte ou outros fatores de risco podem começar antes e fazer exames complementares, conforme a orientação da mastologista ou da ginecologista.
Quem tem silicone faz a mamografia normalmente, com algumas técnicas a mais para afastar a prótese da imagem. Veja como é a mamografia com silicone.
Como pedir a ressonância certa
Nem toda ressonância das mamas é igual. Para avaliar a prótese, o exame usa sequências específicas que separam o sinal do silicone do resto do tecido, e muitas vezes não precisa de contraste. Para investigar câncer, a ressonância usa contraste na veia. Quando o pedido vem com a indicação clara, por exemplo "avaliação de integridade de implante mamário", o serviço de imagem escolhe o protocolo adequado.
Algumas dicas práticas:
- avise sempre que tem prótese, mesmo em exames de outra parte do corpo;
- leve os laudos anteriores, para comparar;
- se possível, faça os exames no mesmo serviço ao longo dos anos;
- tenha à mão a marca, o modelo e o volume da prótese, e o plano em que ela foi colocada.
O exame mostrou líquido em volta da prótese. E agora?
Uma pequena quantidade de líquido pode ser normal. Mas um acúmulo maior, principalmente quando aparece mais de um ano depois da cirurgia e de um lado só, precisa ser investigado. Em geral, o líquido é retirado com uma agulha guiada por ultrassom e enviado para análise. É assim que se investiga, por exemplo, o linfoma associado à prótese, que é raro, mas tem como primeiro sinal justamente esse inchaço tardio.
Quem pede e quem avalia os exames?
Os exames de rastreamento do câncer costumam ser pedidos pela ginecologista ou pela mastologista. Os exames da prótese podem ser pedidos por elas ou pela cirurgiã plástica. O que importa é que alguém junte as duas informações: a saúde da mama e a saúde do implante.
Na consulta em Uberlândia, a Dra. Nádia olha os laudos junto com o exame físico e com a história da sua prótese, e explica se está tudo bem para seguir acompanhando ou se é hora de pensar em troca ou retirada. Se você ainda está pensando em colocar, saiba como é a prótese com recuperação rápida.
Faz anos que não faço exame da prótese. É grave?
Não é motivo de pânico, mas é motivo de agendar. Muitas mulheres passam anos sem saber que deveriam acompanhar a prótese. O primeiro passo é fazer o ultrassom ou a ressonância e, com o resultado, decidir os próximos. Se estiver tudo bem, você só volta para o calendário de rotina. Se o exame mostrar alguma alteração, a decisão sobre o que fazer é tomada com calma, com o laudo em mãos e depois de uma consulta, e não pela leitura solta de uma palavra do resultado. Aproveite para procurar o cartão da prótese e os laudos antigos: eles vão ser úteis em todas as próximas avaliações.
Dúvidas comuns
Quem tem silicone precisa fazer ressonância todo ano?
Não. Sem sintomas, a FDA orienta ultrassom ou ressonância cerca de 5 a 6 anos depois da cirurgia e depois a cada 2 ou 3 anos. Com sintoma, a avaliação é feita na hora.
Ultrassom ou ressonância: qual é melhor para ver a prótese?
A ressonância é o exame de referência para a integridade da prótese. O ultrassom também é aceito para o rastreamento e é muito útil, mas depende mais da experiência de quem faz.
Quem tem silicone precisa fazer mamografia?
Sim, conforme a idade e o risco, como qualquer mulher. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos para mulheres de risco habitual.
A ressonância da prótese precisa de contraste?
Para avaliar só a integridade da prótese, muitas vezes não precisa. O contraste é usado quando o objetivo é investigar câncer de mama.
Apalpando dá para saber se a prótese está boa?
Não. A ruptura costuma ser silenciosa e não muda o toque. Só o exame de imagem mostra se a prótese está íntegra.
Sua prótese está em dia com os exames?
Leve os seus laudos para a consulta. A Dra. Nádia avalia a sua prótese e organiza com você o calendário de acompanhamento.
Referências
- FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
- Sociedade Brasileira de Mastologia. Informações para a população.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de mama: informações e detecção precoce.
