Linfoma associado à prótese (BIA-ALCL): o que é e qual o risco real | Dra. Nádia Côrtes
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Linfoma associado à prótese (BIA-ALCL): o que é e qual o risco real

A notícia de que a prótese pode estar ligada a um tipo de linfoma assusta. O risco existe, é raro e tem características bem conhecidas. Entender o que ele é ajuda a cuidar sem pânico.

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Dra. Nádia Côrtes no consultório
Informação clara sobre o linfoma associado à prótese faz parte da consulta.
Neste artigo
  1. Resposta rápida
  2. O que é
  3. Risco real
  4. Textura
  5. Sintomas
  6. Diagnóstico
  7. Tratamento
  8. Preciso tirar?
  9. Qual é a minha prótese?
  10. Dúvidas comuns

Resposta rápida

BIA-ALCL é um linfoma raro, um câncer do sistema imune, que surge na cápsula em volta da prótese de mama. Ele não é um câncer da mama. Está ligado principalmente às próteses de superfície texturizada, e o risco estimado vai de cerca de 1 caso em alguns milhares a 1 em dezenas de milhares de mulheres, conforme o tipo de textura. O sinal mais comum é um inchaço de uma mama anos depois da cirurgia. Diagnosticado cedo, costuma ser tratado com a retirada da prótese e de toda a cápsula.

O que é o BIA-ALCL?

A sigla vem do inglês e quer dizer linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário. Linfoma é um câncer das células de defesa do corpo, os linfócitos. No BIA-ALCL, ele aparece no líquido ou na cápsula em volta da prótese, e não no tecido da mama.

Essa diferença importa: não é câncer de mama, tem outro comportamento, outro tratamento e outra forma de ser investigado. Na maioria dos casos, a doença fica restrita à cápsula e ao líquido em volta da prótese.

Qual é o risco real?

É baixo, mas não é zero. Os números variam entre os estudos e entre os tipos de prótese. A FDA, agência de saúde dos Estados Unidos, cita estimativas que vão de cerca de 1 caso em 2.200 a 1 caso em 86.000 mulheres com prótese texturizada. As estimativas mais altas estão ligadas a modelos com textura mais áspera.

Para quem tem prótese lisa, os casos descritos são raríssimos, e em vários deles não se sabe se a paciente já tinha usado uma prótese texturizada antes. Também não há relação comprovada com o tamanho da prótese, com o plano ou com o motivo da cirurgia.

Por que a textura da prótese importa?

A hipótese mais aceita é que a superfície texturizada, com mais área de contato, favorece uma inflamação crônica de baixo grau em volta da prótese, somada à presença de bactérias e a uma predisposição genética da paciente. Com os anos, em raríssimos casos, essa inflamação pode levar ao linfoma.

Em 2019, um modelo de prótese de textura mais áspera de um fabricante foi recolhido no mundo todo, e no Brasil a Anvisa suspendeu a venda e publicou orientações para quem já tinha esse tipo de implante. Desde então, a escolha da superfície da prótese passou a levar ainda mais em conta esse risco. Veja as diferenças entre as próteses lisa e texturizada.

Quais são os sintomas do BIA-ALCL?

O sinal mais comum é um inchaço de uma mama só, que aparece de forma relativamente rápida, em geral muitos anos depois da cirurgia. Nos casos descritos, a média fica em torno de 8 a 10 anos após a colocação da prótese. Esse inchaço é um acúmulo de líquido em volta do implante, chamado seroma tardio.

Outros sinais possíveis:

  • nódulo ou massa na mama ou próximo da prótese;
  • dor, vermelhidão ou endurecimento de um lado;
  • gânglios aumentados na axila;
  • mais raramente, febre, suor noturno e perda de peso.

Esses sinais têm outras causas, muitas delas benignas. Mas todo inchaço tardio de uma mama com prótese precisa ser investigado, e não apenas observado.

Como é feito o diagnóstico?

  1. Ultrassom para ver se há líquido ou massa em volta da prótese.
  2. Punção: o líquido é retirado com uma agulha, guiada pelo ultrassom.
  3. Análise do líquido com exames específicos, entre eles o que procura um marcador chamado CD30, típico desse linfoma.
  4. Se o diagnóstico se confirma, exames de estadiamento mostram se a doença ficou só na cápsula ou se espalhou.

É importante pedir que o laboratório analise o líquido com essa suspeita em mente. Um exame comum do líquido pode não identificar as células do linfoma. Por isso, quando há suspeita, a punção costuma ser orientada pela cirurgiã ou pela mastologista, que já pede a análise completa e encaminha o resultado para o especialista certo.

Como é o tratamento?

Quando a doença está restrita à cápsula e ao líquido, que é o que acontece na maior parte dos casos, o tratamento costuma ser cirúrgico: retirada da prótese e de toda a cápsula, de preferência em bloco, sem abri-la. Em geral, também se retira a prótese do outro lado. Nesses casos, o prognóstico é bom. Entenda o explante em bloco.

Em casos mais avançados, com massa ou gânglios comprometidos, o tratamento pode incluir quimioterapia ou radioterapia, com acompanhamento de hematologista ou oncologista.

Tenho prótese texturizada. Preciso tirar?

Sem sintomas, não. As agências de saúde, como a FDA e a Anvisa, não recomendam retirar a prótese texturizada de quem não tem sinais da doença. A orientação é manter o acompanhamento com consultas e exames de imagem e procurar avaliação se aparecer inchaço, nódulo ou mudança na mama. Se mesmo assim você não se sente tranquila com a prótese, a troca ou o explante podem ser conversados, sabendo que toda cirurgia tem os seus próprios riscos.

A FDA também acompanha relatos raros de outros tumores na cápsula, como carcinoma de células escamosas e outros linfomas. São ainda mais raros, e a recomendação de acompanhamento é a mesma. Informação não é motivo para pânico: é o que permite reconhecer um sinal de alerta cedo e procurar ajuda na hora certa, em vez de esperar.

Como saber se a minha prótese é texturizada?

No cartão do implante, nas etiquetas entregues depois da cirurgia ou na descrição cirúrgica do hospital. Se você não tem nenhum desses documentos, peça ao cirurgião que operou. Em Uberlândia, a Dra. Nádia ajuda a interpretar esses dados na consulta e explica, a partir do tipo de prótese e dos seus exames, como deve ser o seu acompanhamento. Saiba mais sobre o explante.

Dúvidas comuns

O BIA-ALCL é câncer de mama?

Não. É um linfoma, um câncer das células de defesa, que surge no líquido ou na cápsula em volta da prótese, e não no tecido da mama.

Qual o risco de ter linfoma por causa da prótese?

É baixo. A FDA cita estimativas entre cerca de 1 em 2.200 e 1 em 86.000 mulheres com prótese texturizada, conforme o tipo de textura. Em próteses lisas, os casos são raríssimos.

Qual o primeiro sintoma do linfoma da prótese?

O mais comum é o inchaço de uma mama só, por acúmulo de líquido, em geral muitos anos depois da cirurgia. Todo inchaço tardio precisa ser investigado.

Quem tem prótese texturizada deve tirar?

Sem sintomas, a FDA e a Anvisa não recomendam retirar. A orientação é acompanhar com consultas e exames e procurar avaliação se a mama mudar.

O linfoma da prótese tem cura?

Diagnosticado cedo, quando está restrito à cápsula, costuma ser tratado com a retirada da prótese e de toda a cápsula, com bom prognóstico. Casos avançados podem precisar de outros tratamentos.

Quer entender o risco no seu caso?

Leve os dados da sua prótese e os seus exames. A Dra. Nádia explica o que eles mostram e como fica o seu acompanhamento.

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Dra. Nádia Côrtes

Dra. Nádia Côrtes

CRM 68667 / RQE 50701

Cirurgiã plástica de mama em Uberlândia. Formada pela UFU, membro da SBCP e da BAPS. Conheça a Dra.

Revisado em 22/10/2026. Conteúdo educativo, não substitui a consulta.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Mastologia. BIA-ALCL: o que é o linfoma associado à prótese mamária.
  2. FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
  3. Anvisa. Atualizadas informações sobre próteses mamárias.