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A diferença está na superfície da prótese. A lisa desliza dentro da bolsa, a texturizada tem uma superfície áspera que adere mais ao tecido, e a de poliuretano é revestida por uma espuma que gruda com mais força. A textura está associada a um tipo raro de linfoma (BIA-ALCL), mais ligado às texturas mais ásperas, e cada superfície tem vantagens e desvantagens. A escolha é individual e deve ser explicada na consulta.
Quais são os tipos de superfície da prótese?
Por dentro, quase todas as próteses atuais são parecidas: um gel de silicone coesivo dentro de uma capa de silicone. O que muda bastante é a parte de fora, a superfície que fica em contato com o seu corpo.
- Lisa: superfície lisinha. A prótese pode se mover um pouco dentro da bolsa.
- Microtexturizada: superfície levemente áspera, com relevo bem fino.
- Macrotexturizada: relevo mais profundo, que favorece mais aderência ao tecido.
- Poliuretano: a prótese é coberta por uma camada de espuma, que o corpo "invade" e prende com força. É bastante usada no Brasil.
Cada fabricante descreve a sua textura de um jeito. A classificação exata é técnica, e a cirurgiã consegue explicar onde fica o modelo indicado para você.
Por que existe prótese texturizada?
A textura surgiu por dois motivos. O primeiro é a aderência: a prótese texturizada fica mais presa no lugar, o que é indispensável para a prótese anatômica, em formato de gota, que não pode girar. O segundo é a contratura capsular, quando a cápsula que o corpo forma em volta da prótese endurece e aperta. Estudos antigos mostraram menos contratura com superfícies texturizadas e de poliuretano em algumas situações, principalmente quando a prótese fica por cima do músculo.
A Dra. Nádia lembra que a textura é um dos pontos que interferem na durabilidade da prótese. Não existe superfície que elimine a contratura, e outros fatores pesam muito, como a técnica, a posição da prótese e o controle de infecção durante a cirurgia. Entenda mais em contratura capsular.
E o linfoma associado à prótese?
O BIA-ALCL é um linfoma, um câncer do sistema de defesa, que aparece no líquido ou na cápsula em volta da prótese. Ele não é câncer de mama. As agências de saúde, como a FDA e a Anvisa, o associam principalmente às próteses texturizadas, com risco maior nas texturas mais ásperas.
O risco é baixo. A FDA estima algo entre 1 caso para alguns milhares e 1 caso para dezenas de milhares de mulheres com prótese texturizada, conforme o estudo e o tipo de textura. Em 2019, um modelo macrotexturizado foi retirado do mercado mundial pelo fabricante a pedido da FDA, e a Anvisa publicou orientações sobre o tema.
O sinal mais comum é um inchaço de uma mama só, que aparece anos depois da cirurgia, em geral por acúmulo de líquido. Quando é diagnosticado cedo, o tratamento costuma ser a retirada da prótese com toda a cápsula. A página linfoma associado à prótese (BIA-ALCL) explica o assunto com mais calma.
Prótese de poliuretano: o que muda?
A prótese de poliuretano tem uma espuma por fora que se integra ao tecido. Por isso ela fica muito presa, quase sem movimento, e é escolhida por alguns cirurgiões para reduzir contratura e manter a prótese na posição.
Esse mesmo ponto forte tem um custo: como a prótese fica muito aderida, a retirada ou a troca costuma ser mais trabalhosa, e a cápsula precisa ser removida com cuidado. Ela também é uma superfície texturizada para fins de vigilância de linfoma, e entra na mesma conversa de acompanhamento.
No Brasil, a prótese de poliuretano tem uma história longa e muitos cirurgiões com experiência nela. Isso não a torna a escolha certa para todas, nem a errada. Como em qualquer modelo, vale perguntar por que ela está sendo indicada no seu caso e o que ela muda numa futura troca ou retirada.
E a prótese lisa?
A lisa tem a menor associação com o linfoma nos dados das agências e voltou a ganhar espaço depois de 2019. Ela é sempre redonda, porque não teria como manter uma gota na posição. Como ela se move mais dentro da bolsa, o planejamento precisa ser preciso: a bolsa é feita na medida, e recursos como o sutiã interno e a alça muscular ajudam a sustentar a prótese.
| O que você quer saber | Lisa | Texturizada | Poliuretano |
|---|---|---|---|
| Fica presa no lugar | Menos | Mais | Muito |
| Formato disponível | Redonda | Redonda ou gota | Redonda ou gota |
| Associação com BIA-ALCL | A mais baixa nos registros | Rara, maior nas mais ásperas | Rara, acompanhada como texturizada |
| Retirada ou troca | Mais simples | Intermediária | Mais trabalhosa |
Já tenho prótese texturizada. Preciso tirar?
Na maioria dos casos, não. As agências de saúde não recomendam retirar uma prótese texturizada só por precaução, quando não há sintomas. A orientação é fazer o acompanhamento de rotina, conhecer os sinais de alerta e procurar a cirurgiã se uma mama inchar, endurecer ou mudar de formato.
Se a preocupação estiver tirando o seu sono, isso também é motivo legítimo para conversar. Algumas mulheres escolhem trocar a prótese ou fazer o explante por decisão pessoal, e essa escolha é discutida com calma, avaliando o que cada caminho envolve.
Como a superfície é escolhida
Na consulta em Uberlândia, a Dra. Nádia explica por que um modelo faz sentido para o seu caso: o formato que você precisa, a posição da prótese, a sua pele e a sua rotina. Pergunte sem medo qual é a marca, o modelo e a superfície. Essas informações vão constar no seu cartão da prótese, que é seu e deve ser guardado.
Se você já tem prótese e não sabe qual é, procure o cartão em casa, peça o registro ao hospital ou à equipe que operou e leve na consulta. Esse dado ajuda muito em qualquer decisão futura.
Dúvidas comuns
Prótese lisa ou texturizada: qual é mais segura?
As duas são aprovadas pela Anvisa. A lisa tem a menor associação com o linfoma BIA-ALCL, e a texturizada fica mais presa no lugar. Cada uma tem vantagens e desvantagens, e a indicação é individual.
Prótese de poliuretano causa linfoma?
Ela é acompanhada pelas agências como superfície texturizada. O risco de linfoma associado às próteses texturizadas é raro, e a cirurgiã explica o que se sabe sobre cada modelo.
Quem tem prótese texturizada precisa tirar?
Sem sintomas, em geral não. A orientação das agências é manter o acompanhamento e procurar a cirurgiã se a mama inchar, endurecer ou mudar de formato.
Qual o sinal de alerta do linfoma da prótese?
O mais comum é o inchaço de uma mama só, anos depois da cirurgia, por acúmulo de líquido. Também pode aparecer um caroço perto da prótese. Nesses casos, procure a sua cirurgiã para investigar.
Como sei qual prótese eu tenho?
No cartão ou certificado da prótese, entregue depois da cirurgia, constam marca, modelo, volume e lote. Se você não tiver, o hospital e a equipe que operou podem ter esse registro.
A prótese lisa sai do lugar?
Ela se move mais dentro da bolsa, mas não deveria sair do lugar quando a bolsa é feita na medida certa. Recursos de sustentação ajudam a manter a posição.
Quer entender qual superfície faz sentido para você?
Conte para a equipe se é a sua primeira cirurgia ou se você já tem prótese. A Dra. Nádia explica as opções com clareza.
Referências
- FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
- Anvisa. Atualizadas informações sobre próteses mamárias.
- Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Prevenção e tratamento da contratura capsular após implantação de prótese mamária.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Página institucional do INCA.
