Prótese lisa, texturizada ou de poliuretano: o que muda | Dra. Nádia Côrtes
Prótese de silicone em detalhe

Prótese lisa, texturizada ou de poliuretano: o que muda

Por fora, a prótese pode ser lisinha, áspera como uma lixa fina ou revestida de espuma. Essa superfície muda como o corpo reage a ela, e é um dos assuntos que mais geram dúvida depois das notícias sobre linfoma.

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Detalhe de uma cirurgia de mama no centro cirúrgico
A superfície da prótese é uma escolha técnica, explicada antes da cirurgia.
Neste artigo
  1. Resposta rápida
  2. Os tipos
  3. Por que existe textura
  4. E o linfoma?
  5. Poliuretano
  6. Prótese lisa
  7. Já tenho texturizada
  8. Como se decide
  9. Dúvidas comuns

Resposta rápida

A diferença está na superfície da prótese. A lisa desliza dentro da bolsa, a texturizada tem uma superfície áspera que adere mais ao tecido, e a de poliuretano é revestida por uma espuma que gruda com mais força. A textura está associada a um tipo raro de linfoma (BIA-ALCL), mais ligado às texturas mais ásperas, e cada superfície tem vantagens e desvantagens. A escolha é individual e deve ser explicada na consulta.

Quais são os tipos de superfície da prótese?

Por dentro, quase todas as próteses atuais são parecidas: um gel de silicone coesivo dentro de uma capa de silicone. O que muda bastante é a parte de fora, a superfície que fica em contato com o seu corpo.

  • Lisa: superfície lisinha. A prótese pode se mover um pouco dentro da bolsa.
  • Microtexturizada: superfície levemente áspera, com relevo bem fino.
  • Macrotexturizada: relevo mais profundo, que favorece mais aderência ao tecido.
  • Poliuretano: a prótese é coberta por uma camada de espuma, que o corpo "invade" e prende com força. É bastante usada no Brasil.

Cada fabricante descreve a sua textura de um jeito. A classificação exata é técnica, e a cirurgiã consegue explicar onde fica o modelo indicado para você.

Por que existe prótese texturizada?

A textura surgiu por dois motivos. O primeiro é a aderência: a prótese texturizada fica mais presa no lugar, o que é indispensável para a prótese anatômica, em formato de gota, que não pode girar. O segundo é a contratura capsular, quando a cápsula que o corpo forma em volta da prótese endurece e aperta. Estudos antigos mostraram menos contratura com superfícies texturizadas e de poliuretano em algumas situações, principalmente quando a prótese fica por cima do músculo.

A Dra. Nádia lembra que a textura é um dos pontos que interferem na durabilidade da prótese. Não existe superfície que elimine a contratura, e outros fatores pesam muito, como a técnica, a posição da prótese e o controle de infecção durante a cirurgia. Entenda mais em contratura capsular.

E o linfoma associado à prótese?

O BIA-ALCL é um linfoma, um câncer do sistema de defesa, que aparece no líquido ou na cápsula em volta da prótese. Ele não é câncer de mama. As agências de saúde, como a FDA e a Anvisa, o associam principalmente às próteses texturizadas, com risco maior nas texturas mais ásperas.

O risco é baixo. A FDA estima algo entre 1 caso para alguns milhares e 1 caso para dezenas de milhares de mulheres com prótese texturizada, conforme o estudo e o tipo de textura. Em 2019, um modelo macrotexturizado foi retirado do mercado mundial pelo fabricante a pedido da FDA, e a Anvisa publicou orientações sobre o tema.

O sinal mais comum é um inchaço de uma mama só, que aparece anos depois da cirurgia, em geral por acúmulo de líquido. Quando é diagnosticado cedo, o tratamento costuma ser a retirada da prótese com toda a cápsula. A página linfoma associado à prótese (BIA-ALCL) explica o assunto com mais calma.

Prótese de poliuretano: o que muda?

A prótese de poliuretano tem uma espuma por fora que se integra ao tecido. Por isso ela fica muito presa, quase sem movimento, e é escolhida por alguns cirurgiões para reduzir contratura e manter a prótese na posição.

Esse mesmo ponto forte tem um custo: como a prótese fica muito aderida, a retirada ou a troca costuma ser mais trabalhosa, e a cápsula precisa ser removida com cuidado. Ela também é uma superfície texturizada para fins de vigilância de linfoma, e entra na mesma conversa de acompanhamento.

No Brasil, a prótese de poliuretano tem uma história longa e muitos cirurgiões com experiência nela. Isso não a torna a escolha certa para todas, nem a errada. Como em qualquer modelo, vale perguntar por que ela está sendo indicada no seu caso e o que ela muda numa futura troca ou retirada.

E a prótese lisa?

A lisa tem a menor associação com o linfoma nos dados das agências e voltou a ganhar espaço depois de 2019. Ela é sempre redonda, porque não teria como manter uma gota na posição. Como ela se move mais dentro da bolsa, o planejamento precisa ser preciso: a bolsa é feita na medida, e recursos como o sutiã interno e a alça muscular ajudam a sustentar a prótese.

O que você quer saberLisaTexturizadaPoliuretano
Fica presa no lugarMenosMaisMuito
Formato disponívelRedondaRedonda ou gotaRedonda ou gota
Associação com BIA-ALCLA mais baixa nos registrosRara, maior nas mais ásperasRara, acompanhada como texturizada
Retirada ou trocaMais simplesIntermediáriaMais trabalhosa

Já tenho prótese texturizada. Preciso tirar?

Na maioria dos casos, não. As agências de saúde não recomendam retirar uma prótese texturizada só por precaução, quando não há sintomas. A orientação é fazer o acompanhamento de rotina, conhecer os sinais de alerta e procurar a cirurgiã se uma mama inchar, endurecer ou mudar de formato.

Se a preocupação estiver tirando o seu sono, isso também é motivo legítimo para conversar. Algumas mulheres escolhem trocar a prótese ou fazer o explante por decisão pessoal, e essa escolha é discutida com calma, avaliando o que cada caminho envolve.

Como a superfície é escolhida

Na consulta em Uberlândia, a Dra. Nádia explica por que um modelo faz sentido para o seu caso: o formato que você precisa, a posição da prótese, a sua pele e a sua rotina. Pergunte sem medo qual é a marca, o modelo e a superfície. Essas informações vão constar no seu cartão da prótese, que é seu e deve ser guardado.

Se você já tem prótese e não sabe qual é, procure o cartão em casa, peça o registro ao hospital ou à equipe que operou e leve na consulta. Esse dado ajuda muito em qualquer decisão futura.

Dúvidas comuns

Prótese lisa ou texturizada: qual é mais segura?

As duas são aprovadas pela Anvisa. A lisa tem a menor associação com o linfoma BIA-ALCL, e a texturizada fica mais presa no lugar. Cada uma tem vantagens e desvantagens, e a indicação é individual.

Prótese de poliuretano causa linfoma?

Ela é acompanhada pelas agências como superfície texturizada. O risco de linfoma associado às próteses texturizadas é raro, e a cirurgiã explica o que se sabe sobre cada modelo.

Quem tem prótese texturizada precisa tirar?

Sem sintomas, em geral não. A orientação das agências é manter o acompanhamento e procurar a cirurgiã se a mama inchar, endurecer ou mudar de formato.

Qual o sinal de alerta do linfoma da prótese?

O mais comum é o inchaço de uma mama só, anos depois da cirurgia, por acúmulo de líquido. Também pode aparecer um caroço perto da prótese. Nesses casos, procure a sua cirurgiã para investigar.

Como sei qual prótese eu tenho?

No cartão ou certificado da prótese, entregue depois da cirurgia, constam marca, modelo, volume e lote. Se você não tiver, o hospital e a equipe que operou podem ter esse registro.

A prótese lisa sai do lugar?

Ela se move mais dentro da bolsa, mas não deveria sair do lugar quando a bolsa é feita na medida certa. Recursos de sustentação ajudam a manter a posição.

Quer entender qual superfície faz sentido para você?

Conte para a equipe se é a sua primeira cirurgia ou se você já tem prótese. A Dra. Nádia explica as opções com clareza.

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Dra. Nádia Côrtes

Dra. Nádia Côrtes

CRM 68667 / RQE 50701

Cirurgiã plástica de mama em Uberlândia. Formada pela UFU, membro da SBCP e da BAPS. Conheça a Dra.

Revisado em 22/10/2026. Conteúdo educativo, não substitui a consulta.

Referências

  1. FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
  2. Anvisa. Atualizadas informações sobre próteses mamárias.
  3. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Prevenção e tratamento da contratura capsular após implantação de prótese mamária.
  4. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Página institucional do INCA.