Silicone pode dar rejeição? O que existe de verdade | Dra. Nádia Côrtes
Quem já tem silicone

Silicone pode dar rejeição? O que existe de verdade

"Meu corpo rejeitou o silicone" é uma frase que muita gente usa. Por trás dela quase sempre existe um problema real, só que com outro nome. Saber qual é ajuda a entender o tratamento.

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Dra. Nádia Côrtes segurando uma prótese de silicone
A prótese não tem células vivas, e por isso não é rejeitada como um órgão.
Neste artigo
  1. Resposta rápida
  2. Não é como transplante
  3. A reação normal
  4. O que chamam de rejeição
  5. A prótese pode sair?
  6. Por que a cápsula endurece
  7. Alergia ao silicone
  8. O que diminui o risco
  9. Quando procurar
  10. Dúvidas comuns

Resposta rápida

Não do jeito que a palavra sugere. O corpo não rejeita a prótese de silicone como rejeita um órgão transplantado, porque ela não tem células para o sistema imune atacar. O que sempre acontece é a formação de uma cápsula de tecido em volta dela, e isso é normal. Quando essa cápsula endurece, quando há infecção, líquido acumulado ou a prótese fica exposta, muita gente chama de rejeição, mas são complicações com causa e tratamento próprios.

Por que o corpo não rejeita a prótese como um órgão?

Rejeição, no sentido médico, é o que pode acontecer num transplante de rim ou de fígado. O órgão de outra pessoa tem células com marcas diferentes das suas, o sistema imune reconhece essas marcas e ataca. Por isso quem recebe transplante toma remédio para baixar a imunidade a vida toda.

A prótese de silicone não tem células nem material genético. Ela é feita de um material sintético, uma capa de elastômero de silicone cheia de gel. Não há o que o sistema imune "reconheça" da mesma forma, e ninguém precisa tomar remédio para manter a prótese.

Então o corpo não reage à prótese?

Reage, e essa reação é esperada. Todo material colocado dentro do corpo é envolvido por uma película fina de tecido, a cápsula. É a forma de o organismo isolar algo que não é dele. Em quem tem prótese há anos, essa cápsula existe sempre, e na maioria das mulheres ela é fina, macia e não dá sinal nenhum.

O problema começa quando essa reação sai do padrão, ou quando aparece outra complicação. É aí que entra a palavra rejeição.

O que as pessoas costumam chamar de rejeição

O nome certoO que éSinais mais comuns
Contratura capsularA cápsula engrossa e aperta a prótese.Mama mais dura, mais alta, redonda demais, às vezes dolorida.
InfecçãoBactérias em volta da prótese, mais comum nas primeiras semanas.Vermelhidão, calor, dor que aumenta, febre, secreção.
SeromaLíquido acumulado em volta da prótese.Mama inchada, pesada, com sensação de líquido.
Exposição ou extrusãoA pele ou a cicatriz abre e a prótese fica à mostra.Pele muito fina, ferida que não fecha, prótese visível.
Sintomas atribuídos à próteseA chamada doença do silicone, ainda sem causa definida.Cansaço, dores no corpo, névoa mental.

Cada uma tem um texto próprio aqui no blog: contratura capsular, infecção depois do silicone e doença do silicone. O ponto em comum é que nenhuma delas é o sistema imune "expulsando" a prótese por ela ser estranha.

A prótese pode sair pela pele?

É raro, mas pode. A extrusão acontece quando a cobertura sobre a prótese fica fina demais ou quando a cicatriz abre e não fecha. Os fatores que mais pesam são infecção, pele muito fina, prótese grande para o tecido disponível, cigarro e radioterapia na mama. Não é a prótese "sendo empurrada para fora" por rejeição: é a pele que não deu conta de cobri-la.

Os sinais costumam aparecer antes: uma área da pele que afina, fica avermelhada ou brilhante, uma ferida na cicatriz que não cicatriza. Isso pede contato rápido com a equipe. Uma prótese exposta, na grande maioria dos casos, precisa ser retirada, e uma nova só é recolocada depois que tudo cicatriza.

Por que em algumas mulheres a cápsula endurece?

Ninguém sabe prever com certeza quem vai ter contratura, mas alguns fatores aparecem com frequência nos estudos. Sangue acumulado em volta da prótese depois da cirurgia é um deles. Outro é a presença de bactérias em quantidade pequena, que não chegam a causar uma infecção com febre e vermelhidão, mas formam uma camada sobre a prótese e mantêm a cápsula inflamada. Radioterapia na mama, ruptura da prótese e o tempo de implante também pesam. É por isso que tanto cuidado é dado à técnica: controle do sangramento, campo limpo, manipulação mínima da prótese antes de colocá-la. Mesmo assim, a contratura pode aparecer em quem fez tudo certo, e isso não é culpa da paciente.

Existe alergia ao silicone?

Alergia verdadeira ao material da prótese é muito rara. Na prática, o que mais aparece no pós-operatório são reações a outras coisas: ao esparadrapo e às fitas do curativo, ao antisséptico usado na pele, a algum fio de sutura ou a remédios. Essas reações dão coceira, vermelhidão e bolhas na pele em volta da cicatriz, e são tratadas sem mexer na prótese. Se você já teve alergia a curativo ou a algum material, avise na consulta.

O que diminui o risco dessas complicações?

Nenhuma escolha zera o risco, mas várias pesam a favor:

  • Prótese compatível com o seu corpo. A Dra. Nádia compara com sapato: se você calça 37, o 40 vai ficar desconfortável. Prótese grande demais estica e afina a pele.
  • Cobertura adequada. Em mulheres magras, o plano da prótese e o volume são escolhidos para que ela fique bem coberta.
  • Via de acesso. A Dra. Nádia costuma preferir a incisão no sulco da mama, porque as vias pela axila e pela aréola têm mais contato com bactérias da pele e dos ductos.
  • Parar de fumar. Ela orienta 90 dias sem cigarro antes e depois da cirurgia, porque o fumo atrapalha a cicatrização.
  • Peso e saúde em ordem. O IMC que ela usa como limite é 30, e doenças como diabetes precisam estar controladas.

Quando procurar a equipe

Procure contato rápido se a mama ficar vermelha e quente, se aparecer febre, se uma mama inchar de repente, se a pele sobre a prótese afinar ou se a cicatriz abrir. Mudanças lentas, como a mama endurecendo aos poucos, merecem consulta sem urgência. Em Uberlândia, a avaliação com a Dra. Nádia inclui exame físico e, quando preciso, exame de imagem para dar nome ao que está acontecendo.

Dúvidas comuns

O corpo pode rejeitar o silicone?

Não como num transplante. A prótese não tem células para o sistema imune atacar. O que pode acontecer são complicações como contratura, infecção, seroma ou exposição da prótese.

Quanto tempo depois da cirurgia pode dar rejeição?

Como não existe rejeição propriamente dita, não há um prazo. Infecção e seroma costumam aparecer nas primeiras semanas; contratura pode surgir meses ou anos depois.

A cápsula em volta da prótese é rejeição?

Não. A cápsula é a resposta normal do corpo a qualquer implante e existe em todas as mulheres com prótese. Só vira problema quando engrossa e aperta a prótese.

Quais os sinais de que algo está errado com a prótese?

Vermelhidão, calor, febre, inchaço repentino de uma mama, endurecimento, mudança de formato, pele afinando sobre a prótese ou cicatriz que abre.

Existe alergia à prótese de silicone?

É muito rara. Reações a curativo, fita, antisséptico ou fio de sutura são bem mais comuns e se tratam sem tirar a prótese.

Quem já teve uma complicação pode colocar prótese de novo?

Depende da complicação e de como o tecido ficou. Em muitos casos é possível, depois da cicatrização completa. A decisão é individual e feita na consulta.

Quer entender o que está acontecendo?

Conte para a equipe o que você percebeu na mama. Na consulta, a Dra. Nádia avalia o seu caso e explica o caminho com honestidade.

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Dra. Nádia Côrtes

Dra. Nádia Côrtes

CRM 68667 / RQE 50701

Cirurgiã plástica de mama em Uberlândia. Formada pela UFU, membro da SBCP e da BAPS. Conheça a Dra.

Revisado em 25/10/2026. Conteúdo educativo, não substitui a consulta.

Referências

  1. FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
  2. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Prevenção e tratamento da contratura capsular após implantação de prótese mamária.
  3. Anvisa. Atualizadas informações sobre próteses mamárias.