Neste artigo
Resposta rápida
"Doença do silicone" é o nome popular para um conjunto de sintomas que algumas mulheres com prótese relatam, como cansaço, dores no corpo, névoa mental e queda de cabelo. Ela não é um diagnóstico com exame próprio, e a ciência ainda não sabe explicar por que acontece. Os relatos são reais e reconhecidos por agências como a FDA. Muitas pacientes melhoram depois do explante, mas nem todas, por isso a investigação vem antes da cirurgia.
O que é a doença do silicone?
Em inglês, o termo mais usado é breast implant illness, ou doença do implante mamário. Na literatura médica, também aparece a sigla ASIA, uma síndrome descrita em 2011 que tenta explicar reações do sistema imune a materiais colocados no corpo. Os dois nomes descrevem a mesma situação: a mulher tem prótese e passa a sentir uma série de sintomas que não têm outra causa encontrada.
O ponto central é este: não existe um exame de sangue, de imagem ou de qualquer tipo que confirme a doença do silicone. O diagnóstico é de exclusão, ou seja, primeiro se descarta o que pode estar causando os sintomas.
Quais são os sintomas da doença do silicone?
Os relatos variam muito de uma mulher para outra. Os mais citados nos estudos e nos registros da FDA:
- cansaço que não passa com descanso;
- dor nas articulações e nos músculos;
- dificuldade de concentração e de memória, a "névoa mental";
- queda de cabelo, pele e olhos secos;
- ansiedade, alterações de humor e insônia;
- palpitações, formigamentos e sintomas intestinais;
- sensação de inflamação no corpo todo.
Repare que quase todos esses sintomas também aparecem em problemas de tireoide, anemia, falta de vitaminas, menopausa, doenças reumáticas, depressão e sobrecarga do dia a dia. É por isso que a investigação é tão importante.
Mito ou verdade: o que já se sabe
| Afirmação | O que a literatura mostra hoje |
|---|---|
| "Os sintomas são coisa da cabeça." | Mito. Os relatos são reais e acompanhados por agências de saúde. Não se sabe a causa, o que é diferente de dizer que não existem. |
| "Toda mulher com silicone vai adoecer." | Mito. A grande maioria das mulheres com prótese não desenvolve esses sintomas. |
| "Existe exame que confirma." | Mito. Não há exame específico. Exames servem para descartar outras causas. |
| "Tirar a prótese resolve." | Depende. Estudos mostram melhora em boa parte das pacientes depois do explante, mas não em todas, e nem sempre de forma completa. |
| "Só prótese rompida causa." | Não se sabe. Há relatos com próteses inteiras e rompidas. |
| "Tem que tirar a cápsula inteira." | Ainda em discussão. Os estudos que comparam tirar a cápsula toda ou só parte dela não chegam a uma resposta única para os sintomas. |
Como investigar antes de pensar no explante
O caminho mais seguro tem etapas:
- Consulta com clínico, ginecologista ou reumatologista para olhar o quadro completo e pedir exames gerais, como hemograma, tireoide, ferro, vitaminas e marcadores de inflamação.
- Avaliação da prótese com ultrassom ou ressonância, para saber se ela está íntegra, se há contratura ou líquido em volta.
- Conversa com a cirurgiã plástica sobre o que os exames mostraram, as opções e o que esperar de cada uma.
Se aparecer outra causa, tratar essa causa pode resolver sem cirurgia. Se nada for encontrado e os sintomas pesam na sua vida, o explante pode ser uma escolha legítima, feita com expectativa honesta.
Tenho silicone e estou bem. Preciso me preocupar?
Não é preciso viver com medo nem tirar a prótese por precaução. A maior parte das mulheres com silicone passa a vida inteira sem nenhum desses sintomas. O cuidado é o mesmo de qualquer pessoa com prótese: consultas de acompanhamento, exames de imagem periódicos para checar a integridade do implante e atenção a mudanças no corpo.
Se algum sintoma aparecer, ele merece ser investigado como qualquer outro, sem pular etapas. Ler relatos nas redes pode ajudar a se sentir acolhida, mas também pode fazer tudo parecer culpa da prótese. Os sintomas são seus, e a investigação deve ser feita no seu caso, não pela história de outra pessoa.
O explante cura a doença do silicone?
É a pergunta mais difícil, e a resposta sincera é: não dá para prometer. Os trabalhos publicados, inclusive na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, mostram melhora dos sintomas e da qualidade de vida em muitas pacientes depois da retirada da prótese. Mas há mulheres que melhoram pouco ou não melhoram, e não existe hoje uma forma de saber de antemão em qual grupo você vai estar.
A Dra. Nádia também lembra que o explante nem sempre tem a ver com doença. Tem paciente que quer uma mama menor ou que não se identifica mais com a prótese colocada anos atrás. As duas razões são válidas. O que muda é a técnica: quando há suspeita de doença ligada à prótese ou contratura, a retirada da cápsula junto costuma entrar na conversa. Entenda o que é o explante em bloco e como é feito o explante.
Sintomas que não são da "doença do silicone"
Alguns sinais pedem avaliação rápida e não devem ser atribuídos a esse quadro sem investigação:
- inchaço grande de uma mama só, que aparece anos depois da cirurgia;
- nódulo novo na mama ou na axila;
- vermelhidão, calor e febre;
- mudança rápida no formato da mama.
O inchaço tardio, por exemplo, pode ser um acúmulo de líquido que precisa ser puncionado e analisado, como acontece na investigação do linfoma associado à prótese. É raro, mas não pode passar batido.
O que levar para a consulta
Anote quando os sintomas começaram, se pioram ou melhoram com alguma coisa, que exames você já fez e quais tratamentos já tentou. Leve os dados da prótese e os laudos de imagem. Em Uberlândia, a Dra. Nádia avalia esses casos com tempo, sem empurrar para a cirurgia e sem desacreditar o que você sente.
Dúvidas comuns
A doença do silicone existe?
Os sintomas relatados por algumas mulheres com prótese são reais e reconhecidos por agências como a FDA. O que ainda não existe é um exame que confirme o quadro nem uma explicação definitiva para a causa.
Quais são os primeiros sintomas da doença do silicone?
Os mais relatados são cansaço persistente, dores nas articulações, dificuldade de concentração e queda de cabelo. Como esses sintomas têm muitas outras causas, a investigação geral vem primeiro.
Existe exame para saber se tenho doença do silicone?
Não. Os exames servem para descartar outras causas, como tireoide e anemia, e para avaliar se a prótese está íntegra.
Se eu tirar o silicone, os sintomas vão embora?
Muitas pacientes relatam melhora depois do explante, mas não todas. Ninguém consegue prever com certeza o resultado nos sintomas.
Prótese rompida causa doença do silicone?
Não se sabe. Há relatos de sintomas com próteses inteiras e com próteses rompidas. A ruptura em si já é indicação de cirurgia.
Quer investigar com calma?
Conte para a equipe o que você tem sentido. Na consulta, a Dra. Nádia avalia o seu caso e explica quando o explante faz sentido e o que esperar dele.
Referências
- FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
- Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. O explante em bloco de prótese mamária de silicone na qualidade de vida e evolução dos sintomas da síndrome ASIA.
- Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Qual o impacto da capsulectomia nos sintomas sistêmicos atribuídos às próteses mamárias de silicone?.
