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Tendência a queloide não proíbe a mamoplastia, mas muda o planejamento e a conversa sobre o resultado. Muitas pessoas que dizem ter queloide tiveram, na verdade, cicatriz hipertrófica, que é alta e vermelha mas fica dentro do corte e melhora com o tempo. O queloide verdadeiro cresce além do corte e volta com facilidade. Nesse caso, a cirurgiã avalia onde a cicatriz da mama vai ficar, tenta reduzir a tensão e planeja a prevenção desde o primeiro mês.
Queloide ou cicatriz hipertrófica: qual é a sua?
As duas são cicatrizes que ficam altas, vermelhas e às vezes coçam. A diferença está no comportamento:
| Cicatriz hipertrófica | Queloide | |
|---|---|---|
| Limite | Fica dentro da linha do corte | Cresce para fora do corte, invade a pele ao lado |
| Com o tempo | Costuma achatar e clarear em 1 a 2 anos | Pode continuar crescendo por anos |
| Depois de retirar | Melhora com tratamento | Volta com frequência se só for cortado |
| Frequência | Comum, sobretudo em áreas de tensão | Bem menos comum |
Muita gente chama de queloide uma cicatriz de cesárea que ficou alta no primeiro ano e depois assentou. Isso é hipertrofia. Leve fotos ou mostre as cicatrizes na consulta: é o histórico real da sua pele que orienta o planejamento.
Quem tem mais risco de queloide na mama?
- Quem já teve queloide em outra parte do corpo, principalmente no tronco.
- Histórico na família: a tendência tem um componente genético.
- Pele negra ou de origem asiática, em que o queloide é mais frequente.
- Pacientes mais jovens, com cicatrização mais intensa.
- Região do corte: a pele do meio do peito, sobre o osso esterno, é uma das áreas do corpo com mais tendência a queloide. Cicatrizes que se estendem para o centro do tórax pedem atenção.
Em qual mamoplastia o risco pesa mais?
Pesa mais onde a cicatriz é mais longa e mais tensa. Nas reduções e mastopexias em T invertido, a cicatriz do sulco pode chegar perto do esterno, e o encontro das linhas embaixo da mama é a área de maior tensão. No aumento com prótese pelo sulco, a cicatriz é curta, em geral de 3 a 4 cm, que é a via preferida da Dra. Nádia, e fica sob a mama.
Isso não quer dizer que a cirurgia deva ser escolhida pela menor cicatriz. O tamanho do corte depende de quanto de pele precisa sair. Em algumas mamas dá para usar técnicas de cicatriz menor, como a short scar ou a cicatriz em L, que evitam levar a cicatriz para o centro do peito. Em outras, a cicatriz em T é a que entrega uma mama com forma adequada. É uma troca que se conversa antes.
O que dá para fazer para prevenir?
Nenhuma medida elimina o risco de queloide, mas várias diminuem a chance e ajudam a tratar cedo:
- Planejamento das incisões: evitar levar a cicatriz para a frente do esterno quando possível e reduzir a tensão no fechamento.
- Fechamento em camadas, para que a pele não sustente sozinha o peso da mama.
- Placa ou gel de silicone quando a pele estiver fechada e a equipe liberar. A Dra. Nádia costuma liberar produtos na cicatriz só depois de 14 a 21 dias.
- Sol zero na cicatriz por um ano e meio a dois anos, outra orientação dela.
- Retornos de olho na cicatriz: se ela começar a subir e coçar além do esperado, o tratamento começa cedo, com infiltração de corticoide, por exemplo.
Em pacientes com queloide grave e recorrente, algumas equipes associam outras medidas logo após a cirurgia, em conjunto com dermatologista. Isso é decidido caso a caso. Os cuidados de rotina com a cicatriz estão em cuidados com a cicatriz da mama.
E se o queloide aparecer mesmo assim?
O tratamento costuma combinar infiltração de corticoide em sessões, placas de silicone e compressão. Em muitos casos a cicatriz achata e para de coçar. Cortar o queloide sem outro tratamento junto tem alta chance de ele voltar, por isso uma revisão da cicatriz só é pensada depois que ela amadureceu e com plano de prevenção.
Nas primeiras semanas, toda cicatriz da mama fica mais vermelha e alta antes de clarear. A Dra. Nádia resume isso numa frase: "fica feio pra depois ficar bonito". Saber disso evita pânico com uma fase que é normal, e o acompanhamento é o que separa a fase normal de um queloide começando.
O que contar na consulta?
- onde você teve queloide ou cicatriz alta, quando e depois de qual procedimento (cesárea, furo de orelha, acne, vacina, cirurgia);
- se o queloide foi tratado e se voltou;
- se alguém da família tem queloide;
- fotos das cicatrizes em fases diferentes, se tiver.
Esse histórico é mais útil do que qualquer exame. Não existe um teste de laboratório que diga como a sua pele vai cicatrizar. A pista mais útil é como ela cicatrizou antes, em cortes parecidos e em regiões parecidas. Um queloide de orelha furada, por exemplo, diz menos sobre a mama do que uma cicatriz alta no tórax ou nas costas.
Também conte se você tem acne no peito ou nas costas, se usa ácidos na pele e se tem alguma doença de pele em tratamento. São informações que entram no plano dos cuidados com a cicatriz.
Vale a pena operar tendo queloide?
Depende do quanto a mama incomoda e do quanto você aceita o risco de a cicatriz ficar mais marcada. Para quem sofre com dor nas costas por mamas grandes, por exemplo, a balança costuma pender para a cirurgia. Para quem busca um ajuste pequeno, uma cicatriz alta pode pesar mais. Na consulta em Uberlândia, essa decisão é feita com você, olhando suas cicatrizes antigas, a técnica possível e o que é realista esperar.
Dúvidas comuns
Quem tem queloide pode colocar silicone?
Pode, com planejamento. A cicatriz do silicone pelo sulco é curta e fica sob a mama. O risco de queloide existe, e a prevenção começa no primeiro mês.
Cicatriz de cesárea alta significa que vou ter queloide na mama?
Não necessariamente. Muitas cicatrizes de cesárea altas são hipertróficas e assentam com o tempo. Mostre a cicatriz na consulta para avaliar.
Placa de silicone previne queloide?
Ajuda a reduzir a chance e a intensidade, mas não elimina o risco. Ela começa depois que a pele fecha, com liberação da equipe.
Queloide na mama tem tratamento?
Tem. O mais usado é infiltração de corticoide em sessões, junto com placa de silicone e compressão. Cortar sozinho costuma fazer o queloide voltar.
A técnica de cicatriz menor serve para quem tem queloide?
Quando a mama permite, pode evitar levar a cicatriz para o centro do peito. Mas a técnica depende da quantidade de pele a retirar e é escolhida na consulta.
Quer avaliar o risco da sua pele antes de decidir?
A Dra. Nádia examina suas cicatrizes antigas, explica onde ficaria a cicatriz da mama e o que dá para planejar no seu caso.
Referências
- Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Encontre um cirurgião membro da SBCP.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia. Portal da SBD.
- Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Acervo de artigos sobre mamoplastia redutora e mastopexia.
