Silicone pode causar câncer de mama? | Dra. Nádia Côrtes
Segurança e preparo

Silicone pode causar câncer de mama?

É uma das perguntas que mais pesam na hora de decidir. A resposta curta é não, mas existe uma história por trás do medo, e ela merece ser contada direito.

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Dra. Nádia Côrtes no consultório
Histórico na família e exames de mama entram na conversa antes de qualquer prótese.
Neste artigo
  1. Resposta rápida
  2. Silicone dá câncer?
  3. De onde vem o medo
  4. Outros tumores raros
  5. Exames com silicone
  6. O que é checado antes
  7. Caso na família
  8. Lisa ou texturizada?
  9. Dúvidas comuns

Resposta rápida

Não. Os estudos que acompanharam milhares de mulheres com prótese de silicone não mostraram aumento do risco de câncer de mama. Existe um tipo raro de linfoma, o BIA-ALCL, que aparece na cápsula em volta da prótese, quase sempre nas texturizadas, e ele não é câncer de mama. Quem tem silicone continua fazendo mamografia e ultrassom normalmente, avisando a equipe do exame.

Silicone dá câncer de mama?

Não. Essa dúvida existe desde que as próteses começaram a ser usadas, e por isso ela foi estudada em muitas mulheres, por muitos anos. Os estudos grandes que compararam mulheres com e sem prótese não mostraram aumento do risco de câncer de mama em quem tem silicone. A FDA, agência de saúde dos Estados Unidos, e a Anvisa, aqui no Brasil, chegam à mesma conclusão.

O câncer de mama nasce nas células da própria mama, a glândula. A prótese fica atrás dessa glândula, ou atrás do músculo, e não se transforma em tumor. O que pesa no risco de câncer de mama continua sendo o que pesa para qualquer mulher: idade, casos na família, alterações genéticas como as do gene BRCA, excesso de peso, álcool, sedentarismo e o tempo de exposição aos hormônios ao longo da vida.

Então de onde vem a história de que silicone dá câncer?

Vem de um tipo raro de linfoma, chamado BIA-ALCL (linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário). Linfoma é um câncer das células de defesa do corpo. Ele não nasce na mama, e sim no líquido ou na cápsula, aquela película que o corpo forma em volta da prótese.

O que se sabe até aqui:

  • quase todos os casos descritos no mundo foram em mulheres com prótese texturizada, aquela com superfície áspera. Casos com prótese só lisa são raríssimos;
  • o risco é baixo. As estimativas variam muito entre os estudos, de cerca de 1 caso em alguns milhares a 1 em dezenas de milhares de mulheres com prótese texturizada;
  • ele costuma aparecer anos depois da cirurgia, em média por volta de 8 a 10 anos;
  • o sinal mais comum é uma mama que incha de repente, de um lado só, por acúmulo de líquido. Às vezes aparece um caroço perto da prótese;
  • quando é descoberto cedo, o tratamento costuma ser a retirada da prótese junto com a cápsula inteira, e na maioria das vezes isso resolve.

Tem uma página só sobre esse assunto, com mais detalhes: linfoma associado à prótese, o que é e qual o risco real.

E os outros tumores na cápsula que apareceram nas notícias?

Em 2022, a FDA publicou um alerta sobre casos de outros tumores na cápsula da prótese, como o carcinoma de células escamosas e outros tipos de linfoma. São poucas dezenas de casos no mundo, entre milhões de mulheres com prótese, descritos tanto com prótese lisa quanto texturizada. A causa ainda está sendo estudada.

Não é motivo para pânico, mas é motivo para não ignorar sinais. O alerta é o mesmo: inchaço de uma mama só, caroço, dor ou mudança no formato que aparece anos depois da cirurgia merece consulta e exame de imagem.

Quem tem silicone consegue fazer os exames de mama?

Consegue, e deve. A prótese não impede a mamografia. O que muda é a técnica: a profissional que faz o exame empurra a prótese para trás com cuidado e puxa a glândula para frente, para ver o máximo possível do tecido. Por isso é importante avisar que você tem silicone quando marcar e quando chegar no exame.

Mesmo com essa técnica, a prótese pode esconder uma parte da mama. Por isso o ultrassom e, em alguns casos, a ressonância entram como complemento. A ressonância também é o exame que melhor mostra se a prótese está íntegra. Os detalhes estão em quem tem silicone pode fazer mamografia.

O que é checado antes de colocar a prótese

Antes de uma cirurgia de mama, a mama precisa ser avaliada por imagem. Em geral, o pedido inclui ultrassom das mamas e, a partir da idade indicada pelas sociedades médicas, mamografia. Se o exame mostrar alguma alteração, ela é investigada primeiro, e a cirurgia espera.

Esse exame também serve como ponto de partida: fica registrado como a sua mama era antes da prótese, o que ajuda a comparar nos exames dos anos seguintes. A lista completa está em exames antes da cirurgia de mama.

Tenho caso de câncer de mama na família. Posso colocar silicone?

Na maioria das vezes, pode. Ter mãe, irmã ou tia com câncer de mama não proíbe a prótese, porque ela não aumenta o risco. Mas esse histórico muda o acompanhamento: pode ser indicado começar os exames mais cedo, fazer ressonância de rotina ou até uma avaliação genética com o mastologista.

Por isso, conte tudo na consulta, mesmo que pareça distante. Quem teve, com que idade, se fez teste genético. Essa conversa entre a cirurgiã plástica e o mastologista é o que permite operar com tranquilidade e seguir o rastreamento direito depois.

Isso muda a escolha da prótese?

Muda a conversa. Depois que o linfoma foi associado às próteses texturizadas, especialmente as de textura mais grossa, alguns modelos saíram do mercado e a escolha da superfície passou a ser discutida com mais cuidado. Cada tipo tem prós e contras em relação a posição, rotação e contratura, e isso é decidido caso a caso.

Dois conselhos práticos valem para qualquer mulher com prótese:

  • guarde o cartão ou a etiqueta da prótese, com marca, modelo e número de série. Se um dia houver um alerta da Anvisa sobre um lote, é assim que você sabe se é com você;
  • não troque a prótese só por medo, sem sintoma e sem exame alterado. As agências de saúde não recomendam retirar próteses de quem está bem por causa do risco de linfoma.

Na consulta em Uberlândia, a Dra. Nádia mostra os tipos de prótese, explica a superfície de cada uma e o que se sabe sobre segurança. Veja também como funciona a cirurgia de prótese.

Dúvidas comuns

Silicone aumenta o risco de câncer de mama?

Não. Os estudos com milhares de mulheres não mostraram aumento do risco de câncer de mama em quem tem prótese de silicone.

O que é o BIA-ALCL?

É um linfoma raro que aparece no líquido ou na cápsula em volta da prótese, quase sempre nas texturizadas. Não é câncer de mama e, descoberto cedo, costuma ser tratado com a retirada da prótese e da cápsula.

Prótese lisa também pode dar linfoma?

Os casos descritos com prótese só lisa são raríssimos. A maior parte está ligada às próteses texturizadas.

Preciso tirar a minha prótese texturizada por precaução?

As agências de saúde não recomendam retirar a prótese de quem não tem sintomas nem alteração no exame. O indicado é manter o acompanhamento e procurar a cirurgiã se a mama inchar ou mudar.

Quem tem silicone pode fazer mamografia?

Pode. Avise que tem prótese, porque a técnica é adaptada. O ultrassom e a ressonância complementam a mamografia quando necessário.

Quem tem câncer de mama na família pode colocar silicone?

Na maioria das vezes, sim. O histórico muda o acompanhamento, que pode incluir exames mais cedo ou ressonância, e é avaliado junto com o mastologista.

Quer conversar sobre segurança antes de decidir?

Na consulta, a Dra. Nádia avalia o seu histórico, os seus exames e explica cada tipo de prótese, sem pressa.

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Dra. Nádia Côrtes

Dra. Nádia Côrtes

CRM 68667 / RQE 50701

Cirurgiã plástica de mama em Uberlândia. Formada pela UFU, membro da SBCP e da BAPS. Conheça a Dra.

Revisado em 22/10/2026. Conteúdo educativo, não substitui a consulta.

Referências

  1. FDA (agência de saúde dos EUA). Breast Implants.
  2. Anvisa. Atualizadas informações sobre próteses mamárias.
  3. INCA, Instituto Nacional de Câncer. Câncer de mama: informações para a população.
  4. Sociedade Brasileira de Mastologia. Orientações sobre rastreamento do câncer de mama.