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Resposta rápida
Nem sempre. Os métodos com estrogênio (a maioria das pílulas combinadas, o anel e o adesivo) aumentam o risco de trombose, e em cirurgias mais longas ou em pacientes com outros fatores de risco a pausa pode ser indicada, em geral algumas semanas antes. Métodos só com progesterona e o DIU de cobre pesam bem menos. A decisão é individual e não deve ser tomada por conta própria.
Por que o anticoncepcional entra nessa conversa?
Por causa do estrogênio. Esse hormônio, presente na maioria das pílulas combinadas, no anel vaginal, no adesivo e na injeção mensal, aumenta a tendência do sangue a formar coágulos. Em uma mulher saudável no dia a dia, esse risco continua baixo. O problema é a soma: cirurgia, horas deitada, recuperação mais parada e estrogênio, tudo junto.
A trombose depois da cirurgia de prótese isolada já é rara. O anticoncepcional não transforma isso em algo comum, mas é um dos itens que entram na conta, junto com o peso, o cigarro, a duração da cirurgia e o histórico de trombose. Veja silicone e trombose.
Todo anticoncepcional pesa igual?
Não. A diferença principal é ter ou não estrogênio:
| Método | Tem estrogênio? | Peso no risco de trombose |
|---|---|---|
| Pílula combinada | Sim | Aumenta o risco. É o caso mais discutido antes da cirurgia. |
| Anel vaginal e adesivo | Sim | Aumentam o risco de forma parecida com a pílula combinada. |
| Injeção mensal | Sim, na maioria | Entra na mesma conversa da pílula combinada. |
| Pílula só de progesterona, implante, DIU hormonal | Não | Pesam bem menos e costumam ser mantidos. |
| DIU de cobre, preservativo | Não | Não mexem na coagulação. |
A injeção trimestral tem só progesterona, mas é avaliada caso a caso. Se você não sabe qual é o seu método, leve a caixa ou o nome do remédio para a consulta.
Quando a pausa costuma ser indicada
A decisão parte de uma avaliação do seu risco de trombose. Em linhas gerais:
- Prótese isolada, cirurgia curta, paciente sem outros fatores de risco: muitas vezes o método é mantido, com as medidas de prevenção de sempre, como caminhar cedo e usar meia de compressão.
- Cirurgia mais longa, cirurgias combinadas, IMC mais alto, histórico de trombose na família ou varizes importantes: a pausa do estrogênio pode ser indicada, em geral cerca de 4 semanas antes, voltando quando você já estiver andando normalmente.
- Histórico pessoal de trombose: aqui o assunto é outro, e o próprio uso de estrogênio costuma ser repensado com o ginecologista, independentemente da cirurgia.
Esses prazos são uma referência da literatura, não uma regra para todas. A orientação final é dada na consulta, de preferência em conversa com o seu ginecologista.
Por que não parar a pílula por conta própria
Parar a cartela no meio, sem orientação, tem dois problemas. O primeiro é o sangramento fora de hora, que pode aparecer bem perto da data da cirurgia. O segundo é o mais sério: ficar sem proteção e engravidar justamente no período da cirurgia.
Se a pausa for indicada, a troca precisa ter um plano: qual método entra no lugar (preservativo, DIU de cobre ou um método só de progesterona), a partir de quando, e quando o anticoncepcional antigo volta.
E o risco de engravidar nesse período?
É real, e é por isso que o beta-HCG faz parte dos exames. A Dra. Nádia costuma pedir esse exame bem perto da data da cirurgia, porque uma gravidez muito no começo pode ainda não ter dado nenhum sinal. Se você trocou de método ou está sem método, use preservativo em todas as relações até a cirurgia e nas semanas seguintes.
Depois da cirurgia, a recomendação dela para quem pensa em engravidar é esperar cerca de 1 ano, para a mama e a prótese se acomodarem. Então o planejamento do anticoncepcional vai além do mês da cirurgia. Veja quanto tempo depois do silicone pode engravidar.
E quem faz reposição hormonal da menopausa?
A lógica é parecida, mas com detalhes. A reposição por comprimido passa pelo fígado e mexe mais na coagulação. Gel, adesivo ou spray na pele costumam pesar menos. Implantes hormonais e "chips" também precisam ser contados, porque às vezes têm hormônios que não aparecem no nome comercial.
Quem opera depois dos 40 ou 50 anos costuma ter outros pontos a avaliar, como pressão, glicose e exames de mama. Leve a receita da reposição e os últimos exames para a consulta.
E se eu uso a pílula para acne, endometriose ou ovário policístico?
Aí a conversa tem mais um lado. Muitas mulheres usam a pílula não só para evitar gravidez, mas para controlar acne, cólica forte, endometriose, ovário policístico ou fluxo muito intenso. Parar pode trazer esses sintomas de volta em poucas semanas, inclusive bem na época da cirurgia.
Nesses casos, a decisão costuma envolver o médico que receitou: às vezes dá para manter, às vezes troca por um método só de progesterona que também trata o problema, às vezes a pausa é curta e planejada para o mês certo. O importante é que ninguém decida isso sozinho, nem você, nem a cirurgiã sem ouvir o seu ginecologista.
O que levar para a consulta
- o nome do anticoncepcional ou da reposição, há quanto tempo usa e se já trocou por algum problema;
- se você ou alguém da família já teve trombose, embolia ou derrame jovem;
- se tem enxaqueca com aura, pressão alta ou fuma, porque isso também muda a conversa sobre o estrogênio;
- o contato do seu ginecologista, se quiser que a conversa seja feita junto.
Na consulta em Uberlândia, a Dra. Nádia junta essas informações com o tipo de cirurgia, seja prótese, mastopexia ou cirurgias combinadas, e explica se o seu método fica, troca ou pausa.
Dúvidas comuns
Precisa parar o anticoncepcional para colocar silicone?
Nem sempre. Depende do método, do tipo de cirurgia e dos seus outros fatores de risco de trombose. A decisão é feita na consulta.
Quanto tempo antes da cirurgia parar a pílula?
Quando a pausa é indicada, costuma ser de cerca de 4 semanas antes da cirurgia para métodos com estrogênio. O prazo exato é orientado pela equipe.
DIU hormonal precisa ser retirado antes da cirurgia de mama?
Em geral não. O DIU hormonal tem só progesterona e pesa pouco no risco de trombose.
Posso engravidar se parar a pílula antes da cirurgia?
Pode, por isso a pausa precisa vir com outro método, como o preservativo. O beta-HCG é colhido perto da data para descartar gravidez.
Quando posso voltar a tomar o anticoncepcional?
Quando você já estiver se movimentando normalmente, em geral algumas semanas depois. A equipe orienta o momento no retorno.
Quer saber se precisa mudar o seu método?
Agende a avaliação. A Dra. Nádia avalia o seu risco de trombose e o tipo de cirurgia, e orienta o que fazer com o anticoncepcional.
Referências
- Febrasgo. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
- Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. Trombose venosa: informações para pacientes.
- Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Encontre um cirurgião membro da SBCP.
