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Os estudos de população mostram que mulheres que fizeram mamoplastia redutora têm, em média, um risco um pouco menor de câncer de mama do que mulheres da mesma idade que não fizeram, provavelmente porque fica menos tecido mamário. Mas o risco não zera, a cirurgia não é indicada como prevenção e quem fez redução continua precisando dos exames de rastreamento. Quem tem alto risco, como mutação genética, deve conversar com o mastologista sobre as opções próprias.
O que os estudos mostram?
Pesquisas em países com registros de saúde completos, como Suécia, Dinamarca e Canadá, acompanharam por anos milhares de mulheres que fizeram redução de mama e compararam com a população geral. A maioria encontrou um risco de câncer de mama menor depois da redutora, em vários estudos algo em torno de 20% a 40% menor.
Dois detalhes aparecem com frequência nesses estudos: a redução do risco parece maior quando se retira mais tecido e em mulheres operadas depois dos 40 anos. Os números variam entre as pesquisas, e todas são estudos de observação, que mostram associação, não uma prova direta de causa e efeito.
Traduzindo para a vida real: uma redução de 30% em um risco que já é de uma em cada dez ou doze mulheres ao longo da vida é relevante para a população, mas pequena para cada mulher. Não é um número que deva pesar sozinho na decisão de operar, e ninguém pode prometer a uma paciente específica que ela terá menos risco.
Por que a redução estaria ligada a menos risco?
A explicação mais aceita é simples: o câncer de mama nasce nas células da glândula. Se uma parte grande da glândula é retirada, sobram menos células que poderiam, um dia, sofrer alterações. Além disso, o tecido retirado é examinado no microscópio, e alterações de risco podem ser encontradas e acompanhadas mais cedo. Esse exame do tecido, o anatomopatológico, é feito na grande maioria das reduções.
Há também quem levante outras hipóteses, como mudanças hormonais no tecido que fica ou o fato de mulheres operadas serem mais acompanhadas por médicos. Nenhuma delas está comprovada, e é provável que mais de um fator pese.
Mas a redução não tira toda a glândula. A aréola continua ligada a uma faixa de tecido, e boa parte da mama fica. Esse tecido continua com o mesmo tipo de risco de qualquer mama.
Então vale fazer redução para prevenir câncer?
Não. A mamoplastia redutora é indicada por sintomas e pelo incômodo com o tamanho da mama, como dor, marca de alça, assadura e limitação para treinar. Veja redução de mama: quando é indicada. A diminuição do risco é um achado dos estudos, não uma razão para operar uma mama que não incomoda.
Para mulheres com alto risco, como portadoras de mutação nos genes BRCA, existe outra conversa, conduzida pela mastologia: rastreamento mais próximo, remédios em alguns casos e, para algumas, a mastectomia redutora de risco, que é outra cirurgia, com outro objetivo. Mais em câncer de mama na família: posso fazer mamoplastia?.
Quem fez redução precisa continuar fazendo mamografia?
Sim. A redução não muda a recomendação de rastreamento. O ritmo dos exames segue a sua idade e o seu histórico, conforme orientação do seu médico. As referências brasileiras divergem na idade de início: a Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos, e o Ministério da Saúde e o INCA priorizam a faixa de 50 a 69 anos. Converse com o seu ginecologista ou mastologista sobre o seu caso. O autoconhecimento da mama também continua valendo: se notar um nódulo novo, retração da pele, secreção pelo mamilo ou mudança de formato que não seja da cicatrização, procure avaliação, sem esperar o próximo exame de rotina.
Depois da redução, a mamografia mostra a mama remodelada: cicatrizes internas, mudança na arquitetura e, às vezes, pequenas calcificações ou nódulos de gordura que sofreu na cirurgia, a chamada necrose gordurosa. Isso é benigno, mas pode confundir. Às vezes, uma alteração assim leva a um exame a mais ou a uma biópsia por agulha só para confirmar que não é nada. É um custo emocional que vale conhecer antes, para não se assustar. Por isso é importante:
- fazer um exame de base alguns meses depois da cirurgia, quando orientado, para servir de comparação;
- avisar o radiologista que você fez redução e quando;
- levar os exames anteriores e o laudo do anatomopatológico.
O que muda no exame está detalhado em mamografia depois da mamoplastia redutora.
E antes da cirurgia?
Antes da redução, a mama precisa ser avaliada com exame de imagem conforme a idade e o histórico. Uma redução estética nunca deve ser o jeito de "descobrir" um câncer. Quem tem mais de 40 anos, histórico familiar ou nódulo já acompanhado costuma precisar de uma avaliação mais completa, às vezes com mais de um exame. Se algum exame mostrar alteração, ela é investigada primeiro, e a cirurgia espera. Na maior parte das vezes, a investigação mostra algo benigno e a redução segue depois, com mais tranquilidade para todos. Veja precisa de mamografia antes da mamoplastia?.
Como conversar sobre isso na consulta
Conte o seu histórico familiar, se já fez biópsia, se usa hormônio e quando foi o último exame da mama. No consultório em Uberlândia, a Dra. Nádia avalia se a redução faz sentido pelos seus sintomas e pede os exames que a sua idade e o seu histórico exigem. Quando o risco é alto, a conversa inclui o mastologista, e o planejamento da redução se encaixa no acompanhamento da sua mama, e não o contrário. A indicação é sempre individual. Mais em mamoplastia.
Dúvidas comuns
A mamoplastia redutora previne câncer de mama?
Não é prevenção. Os estudos mostram um risco um pouco menor depois da redução, mas o risco não zera e a cirurgia não é indicada com esse objetivo.
Quanto o risco diminui depois da redução?
Em vários estudos de população, algo em torno de 20% a 40% em média, com variação entre as pesquisas. São estudos de observação, não uma promessa individual.
Depois da redução preciso continuar fazendo mamografia?
Sim. O rastreamento segue a sua idade e o seu histórico. Avise o radiologista que você fez redução e leve os exames anteriores.
A redução atrapalha a mamografia?
Muda a imagem, com cicatrizes internas e às vezes calcificações benignas. Com exames de comparação e a informação da cirurgia, o radiologista consegue interpretar.
Tenho mutação no BRCA. A redutora resolve?
Não. Para alto risco existem condutas próprias, conduzidas pela mastologia, como rastreamento mais próximo e, para algumas mulheres, a mastectomia redutora de risco.
Quer uma avaliação com cuidado de verdade com a sua mama?
Agende a consulta. A Dra. Nádia explica a redução, os exames antes e depois e quando envolver o mastologista.
Referências
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de mama.
- Sociedade Brasileira de Mastologia. Portal da SBM.
- Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. Acervo de artigos sobre mamoplastia redutora.
